O Elogio Ao ÓCIO - Um blog sobre tudo e sobre nada


     JULGAMENTO POLÍTICO

     Dada a indignação expressa pela filha do sr. Miguel Mossoró, candidato do Partido Trabalhista Cristão (PTC) derrotado à prefeitura de Natal nas últimas eleições, só venho esclarecer que minhas críticas e meu julgamento ao referido candidato é puramente político, notado que não utilizo de quaisquer argumentos pejorativos com a intenção de minimizar sua importância.

     No entanto, realço que o Sargento Miguel Mossoró se valeu de um populismo muito exacerbado, além da exposição de idéias que retomavam a pensamentos primitivos, através do pulso firme e do programa extremamente disciplinador apresentado pelo candidato do PTC.

     Apesar dos quase 70 000 votos recebidos, valendo-se de promessas que incluíam a construção do Natal Trade Center, e uma ponte que ligaria a cidade a Fernando de Noronha, o povo soube valer de uma conscientização política mais clara e embasada.


Figura folclórica e inegavelmente um fenômeno: com promessas extravagantes, Miguel Mossoró barganhou quase 1/5 do eleitorado

     Ademais, não tenho nenhuma crítica de cunho pessoal ao Sargento Miguel. Respeito-o como a qualquer outra pessoa que se disponha a participar de atividades políticas, mas discordo completamente com a forma com que seus planos foram expostos, e como pretendiam atingir à massa desinformada, e a população insatisfeita (com razão) com os rumos que a política tem tomado.

     A Márcia, filha do candidato frisou que podemos considerar o Sargento Miguel uma figura de inteligência e hombridade. Não questiono isso, por isso reafirmo a minha posição contrária a dele apenas em uma discussão de idéias.

     A ruptura não se dará por aí, como uma brincadeira.

 


     EXEMPLO DE UM DESASTRE POLÍTICO

     Nesses tempos de políticos exóticos que se dão bem sabe-se lá por que razão, o Severino Cavalcanti, alvo de palhaçadas em todos os ramos, é uma mostra de que decisões erradas dão mesmo errado e arriscar em algo assim pode ser um erro crasso. A Câmara, que já era malvista pela população, se vê agora numa situação à beira do permissível, em se tratando de uma democracia, nos moldes que a temos.

     Embora a queda de Severino nesse momento dê mais força à oposição, na sua sanha agressiva e golpista, penso que é melhor mesmo que ele dê licença pra outro que ao menos tenha algum compromisso. Não dá pra um cara se candidatar a um cargo hoje e amanhã cochilar quando estiver numa conferência representando ao cargo conquistado. Severino, como coronel habitual, extremamente conservador, é uma categoria que deve ser extinta da nossa política.

     Já faz uma semana que Fernando Gabeira, do Partido Verde, bradou para Severino no Plenário (e nunca na vida esteve tão certo): Vossa Excelência está em contradição com o Brasil. A sua presidência é um desastre para o país!

 


Até quando você vai ficar...

sem saber o que quer fazer?
sem saber o que quer?
sem saber o que...?
sem saber?

H. Gessinger

 



Escrito por Leon K. às 03h55
[   ] [ envie esta mensagem ]




     CABEÇA VAZIA, PANELA DO DIABO

     É verdade que o povo brasileiro não é inteligente. Por povo, como raramente me refiro, falo todo o conjunto. Toda a sociedade, desde populares, estudantes, políticos, empresários, donas-de-casa. Nós vivemos num país absorto por concepções muito mal-alicerçadas.

     Diz-se que nos tempos de crise é que as coisas se revelam. Tanto as pessoas, como os fatos, as perspectivas, as idéias. Tudo se mostra muito mais nítido quando visto na escuridão, talvez por se usar os olhos mais atentos. Mas nessa fase de uma luta política - e falsa crise -, é que nós temos uma medida de como as pessoas não estão preparadas para fazer frente ao sensacionalismo.

     Tal como acabei de dizer, viver num país em cuja conjuntura instaura-se uma luta política, uma briga de interesses, entra em cena a ideologia. Vivendo num país de 30 milhões de indigentes, onde os graduados não têm emprego garantido, e dono de uma imensurável concentração de renda, é notório como o Brasil é um país direcionado aos interesses de uma classe dominante. Isso ninguém nega - "rico sempre se dá bem". Seria tão estúpido, por ser tão claro, entender que nós vivemos também sob a égide de uma ideologia que só beneficia a um pensamento?!

     Qualquer pessoa que conheça a História do Brasil e a de outras nações compreende como o nosso contexto não é nada complexo. Pelo contrário. Era exatamente previsível - eu mesmo já falei sobre, quando ainda usava o blog no endereço antigo. Com a mídia parcialíssima que nós temos, os brados pseudomoralista dos membros mais funestos do Congresso, que aparecem como defensores da ética e da justiça, é perigoso ver como todo mundo (todo mundo!) tem engolido o que vê na TV ou nos jornais mais claros. Ora, não dá pra você apenas ler a Folha de São Paulo e dizer que tal ou qual membro do governo é corrupto. Não dá pra dizer que o Zé Dirceu é um ladrão sedento de poder só porque saiu na capa da Veja. Nunca vi tamanha afronta à inteligência humana. E fico muito aborrecido, muito mesmo, que todos esses ataques ao governo, ao Lula, ao movimento progressista seja ecoado por quem mais os defendia, outrora. Vide as migrações para partidos radicais, e o silêncio dos intelectuais de esquerda. Mas como é tênue a linha que separa a compreensão e a análise fina da estupidez. Tenho medo do que virá. Nada mais patético do que o Lula tentar alertar o povo, afirmando que se ele cair "serão precisos mais trinta anos para que a esquerda volte ao poder", e ainda seja alvo de chacota. Pobre Lula. Pobre Zé Dirceu. Grandes histórias, que para a mediocridade tupiniquim não suportam uns adjetivos desagradáveis partindo dos velhos oligarcas da Nação.

     Eis como é recebido o governo mais democrático da história do Brasil. Nunca o esporte foi visto como questão de Estado, e agora compreende-se sua importância como inclusão social, com elevações no orçamento. Nunca antes o governo patrocinou conferências como as de Saúde, Educação, Juventude, Negro, Índio, Mulheres, Cultura (...), que já reuniram milhares de brasileiros, "povão" e especialistas, discutindo juntos. A intelectualidade reacionária argumenta que conversas e conferências não resolvem nada, o negócio é ação. É o problema de um país em que o diálogo não é uma virtude a ser preservada; é o problema de décadas de uma educação que não ensina a discutir. Também nunca houve tanta liberdade política, os movimentos sociais nunca tiveram tanta voz, e tanto espaço (vide a Coordenação dos Movimentos Sociais, criada pelo próprio Lula, canal de comunicação inédito de povo-governo). Há muito tempo foi embora do país os planos desenvolvimentistas, mas retornaram de 2003 pra cá. Produz-se muito - aliás, nunca se produziu tanto, nunca se comprou tanto. Nunca antes se tomou medida concreta para acabar com a Seca. E o governo já autorizou uma medida que, com apenas 1% do Rio São Francisco fará com que 1/3 do território nacional sejam integrados. Mas isso tudo não parece argumento. Morre quando as pesquisas (quem paga as pesquisas? E quem paga a quem as paga?) demonstram que a popularidade do Lula cai a cada dia. Que fazer?, o próprio Lenin, como já fez muitas vezes, perguntaria. Tá aí a questão: fazer justamente isso. Perguntar. Por que o governo é tão atacado? Talvez por, ainda timidamente, tentar criar novo rumo para o país.

     Não preciso responder. A verdade não está na boca das pessoas, mas está no cotidiano delas.

 


     MAIS UMA OPERAÇÃO

     25 pessoas foram presas por participarem de um esquema de fraude e corrupção que comia dinheiro dos contribuintes do INSS, na Operação Mercado Negro, da Polícia Federal. Elas foram parte das 33 pessoas para quema  Polícia tinha mandado de prisão decretado, além de outros 42 mandados de busca e apreensão.

     Além deste caso, em mais outras centenas, a PF tem demonstrado como sua eficiência tem se mostrado bem mais elevada. Membros do governo que são investigados, pessoas convocadas a depor na CPI que já estão presas e o desespero de muito por um habeas corpus são mostras de como o governo tem mantido pulso firme contra a corrupção.

     Agora, se ainda se fala que a CPI pode acabar em pizza, isso é problema do Congresso, não do Lula.

 



Escrito por Leon K. às 03h41
[   ] [ envie esta mensagem ]




     MAIS ATENÇÃO DA PRÓXIMA VEZ

     Só posso pedir desculpas a esta instituição que é a nossa língua, né? Os últimos posts – não só os últimos, é verdade – tem sido verdadeiros ataques `a formação correta da escrita.

     Sem me ater muito a isso, esclareço que deve-se especialmente pelo fato de meu teclado estar desconfigurado, o que me impede de por acentos e semelhantes, e `a pressa com que costumo postar, como se fossem os momentos em que vos digito os últimos em que estou vivo.

     Prometo digitar com mais tranqüilidade, observar melhor as falhas e evitá-las ao máximo. Talvez assim, eu consiga evitar constrangimentos como acontece quando vou revisar o texto – já publicado – e não compreendo o que eu mesmo quis dizer, em certos pontos.


     O HOJE JÁ FOI ONTEM 

     A História não é cartesiana, mas ela se repete, `as vezes. E nessas horas, é importante lembrar de outros momentos em que, embora em cenários bastante diferentes, poder-se-ia delinear um paralelo com nosso contexto atual, extremamente incômodo e angustiante.

     O genial Maiakovsky, poeta, teatrólogo e militante político russo nos albores do socialismo sovietico define em poucas palavras o preço da indiferença.
 

Fragmentos

Na primeira noite eles se aproximam,
e colhem uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite já não se escondem:
Pisam as flores, matam nosso cão,
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles
Entra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta.
E por que não dissemos nada
Já não podemos dizer nada.


 



Escrito por Leon K. às 05h34
[   ] [ envie esta mensagem ]





"É OU NÃO É PIADA DE SALÃO?
NETO DE ACM FALANDO EM CORRUPÇÃO"*

Eis então o início dos embates políticos! Após meses de bombardeio de acusações – acusações, apenas acusações – contra o presidente Lula, travestidas de críticas ao Governo, os movimentos sociais respondem, numa mostra de que o presidente não está sozinho nessa briga, na qual utiliza-se de todas as formas – inescrupulosas principalmente, como em alguns atos da oposição – para demonstrar força e chamar a atenção da sociedade.

Dezenas de manifestantes (dos quais pelo menos 10 mil eram jovens universitários e secundaristas) participaram deste ato que dá continuidade `a luta dos movimentos populares pelo respeito `a legalidade, mantendo o presidente fora do foco de discussões. Num dia em que o Governo ganha aliados, como o Jose Sarney, num inflamado discurso em defesa do presidente na Câmara Federal, a oposição sente-se cada vez mais incomoda.

Poucos dias após terem-se iniciado as discussões abertas sobre impeachment, a base conservadora começa a escolher melhor as palavras, e volta a amansar o discurso, medrosos da iminência de perder o apoio popular caso o povo mantenha-se ao lado de Lula. Ora, não dá para acreditar em Jose Agripino, do PFL, quando ele afirma que o movimento estudantil e uma instituição que deve ter respaldo da sociedade – oito anos de governo dele aqui no Rio Grande do Norte e um relativo atraso político que vive o Estado são mostras de como seus ataques aos movimentos sociais surtiram efeitos, mantendo as oligarquias inatingíveis.

Mais do que nunca – MAIS DO QUE NUNCA – a sociedade precisa participar das discussões políticas, acompanhar criticamente as matérias, ler fontes jornalísticas variadas, atentar para a levianeidade de certos veículos de informação, e, principalmente, ir `as ruas mostrar de que lado ela se põe. O momento político mais importante desde a eleição de Lula – e antes disso, desde a derrubada de Collor, há quase quinze anos – redige-se na nossa frente, e apatia, nesse momento, pode acaba por se tornar fatal.

*Palavra de ordem usada pelos manifestantes, direcionada `a hipocrisia da direita

 

*     *     *     *     *

     A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA  DO GOVERNO LULA

     Num País com uma estrutura capitalista já muito forte, uma formação institucional extremamente vulnerável `as vicissitudes do sistema, o Governo Lula é estratégico para a edificação de uma nova proposta social, elaborada pelos principais elementos da esquerda brasileira, em seguimento a um rumo socialista e democrático.

     É preciso compreender a experiência de Lula sob a seguinte questão: sendo o Brasil um país em que a classe política cada vez mais se distanciava do povo, este governo, primeiro na Historia nacional em que os principais elementos políticos que atuam em nome da elite não participam, torna-se essencial no sentido de trazer mais a população para a participação da vida da Nação. Não `a toa um dos primeiros atos do governo foi criar a Coordenação dos Movimentos Sociais, CMS, e colaborando para a unidade das principais entidades brasileiras, como o Movimento dos Sem-Terra, a Central Única dos Trabalhadores, a União Nacional dos Estudantes e a União Brasileira de Mulheres, dentre tantas outras.

     A secessão que aos poucos se costura hoje, com a oposição com seu projeto bem delineado, caracteriza claramente esse movimento. E o Governo Lula contribui para a divisão da sociedade duma forma mais clara, esclarecendo os interesses tendenciosos (leiam a Veja e entendam o que digo) e instaurando a luta política no Brasil (vide o caso da vizinha Venezuela, que passa por um processo semelhante). A partir desse contexto de instabilidade, a população começa a compreender os elementos envolvidos, e, a partir daí pode dar-se a elevação da consciência política e social, a qual vai levar o povo a agir segundo os seus interesses.

     O Governo Lula não é um fim. É apenas um meio. Um ponto de partida. Somos testemunhas oculares. A não-ação, nesse momento, pode levar a situações como a vivida na Revolução de 30, uma era de transição, mas da qual o povo portou-se avesso, o que abriu espaço para uma democracia fantoche que anos depois viraria uma ditadura fascista.

     Esse risco ainda não acabou.

 



     A OPOSIÇÃO E O JOGO SUJO

     E a oposição, formada por figuras aparentemente – e apenas aparentemente – tão distintas quanto ACM e Heloisa Helena continua a agir segundo a égide da irresponsabilidade. O projeto do baiano, aplaudido pela trotskysta, de elevação do mínimo para 384 pode colocar o governo em maus lençóis.
 
     Na situação de heterogeneidade que vive a base do presidente, hoje, pode ficar difícil para a base Aliada manter o valor da medida nos 300 reais propostos pelo Governo em maio, embora a própria oposição admita que não e prudente colocar Lula em tamanha enrascada.


Mobilização uniu ACM (ao fundo) do PFL a Heloisa Helena do PSOL

     Se assim ficar, nos 384, o presidente ficara entre duas escolhas cruéis: aprovar a Medida, o que abriria um rombo nas contas publicas e prejudicaria investimentos para 2006 ou vetá-la, o que faria com que os 300 atuais voltassem aos 260 do ano passado (?), o que levaria Lula a estudar formas de continuar a oferecer os 300, fosse com abonos ou com uma nova Medida.

     No fim das contas, ainda que o governo Lula consiga contornar esse problema e manter o salário aos 300, já ficou muito claro onde pode chegar a irresponsabilidade da oposição conservadora e despreocupada com os reais interesses do Brasil.



Sou um conspirador. Um conspirador da elite. Quero derrubar Lula. Só não quero ter muito trabalho. Quero derrubar Lula sem sair de casa.
Diogo Mainardi, em coluna nefasta na revista-panfletario Veja

 



Escrito por Leon K. às 05h20
[   ] [ envie esta mensagem ]




     ENFIM O 13º

     Há pouco mais de um ano - treze meses, na verdade - ainda no endereço http://peixesoll.zip.net, eu dava inicio ao meu blog. Foi no dia 8 de julho de 2004. Eu sempre gostei de blogs, e aos poucos ia me influenciando e adotando a idéia de criar um, pra mim. Mas pensava em de que forma iria mantê-lo. Postar varias vezes por semana seria no mínimo um exercício grande pra cabeça, estar sempre com algo em mente. Não tinha esse quê de escritor, embora gostasse disso. Mas me rendi a esse prazer.

 

     Há cinco meses, tive um problema com a conta que mantinha o endereço antigo, e foi necessário abrir este. Mas tenho-os como apenas partes distintas duma mesma história.

     Como diz Edu Beck, notável amigo-blogueiro deste reduto, a Internet permite a democratização total da exposição de pensamentos. Basta uma idéia na cabeça e uma conexão com a Rede. Daí parte-se pra essa aventura artística, que, no meu caso, rendeu uns bons textos, umas amizades, e um conjunto de novos conhecimentos que adquiri, direta ou indiretamente, graças a este blog.

     E não podia esquecer também da Jordana, minha peculiaríssima amiga virtual, a quem tive o prazer de conhecer, e manter – com muitas dificuldades – contato concreto. Ela quem me influenciou bastante, com o blog que tinha (e que depois retomou.) E aos que apareceram, quem comentou, quem linkou, quem já ouviu falar, quem por acaso viu numa busca, aí... tudo isso é sinal de evolução. Sou, naturalmente, muito grato a todos. 

    


     PASSADO ESCURO

      E essa semana, também houve outro aniversário a ser lembrado. Pena que este não representa nada digno de comemoração.

     Nos dias 6 e 9 de julho, há 60 anos, nas respectivas cidades – até então pacatas – de Nagasaki e Hiroshima, a Humanidade viveu aquele que devia ser considerado o ponto mais baixo de nossa Historia – aquele sob o qual só se irá chegar quando nos rebaixarmos ante a submissão ao poder pelo poder, e decretarmos o cataclismo final, atirando nas nossas próprias cabeças.

     A Bomba foi o sinal de como o conhecimento humano evoluía pra involuir. Momento de questionamentos, de se olhar pra si mesmo e perguntar porque aquilo estava acontecendo. Não era a ciência pra representar o progresso, desenvolver as potencialidades humanas? Não era a política para representar a evolução da mente humana, o dialogo, a compreensão, a filosofia coletivista de raça? A Bomba encerrou uma era de retrocesso científico e político, que foi o Holocausto, de uma forma redundante e impensada, com o genocídio instantâneo. E, como num baque, matou de uma só vez a inocência, científica e política.

 No meio dos destroços de Hiroshima, havia um adereço que seria o marco de um momento-chave, na descrição real do que perseguia a Humanidade quando evoluía, fossem lá em que aspectos: um relógio parado. O objeto, já completamente desativado, indicava que a Historia que tava sendo construída ate então deveria acabar ali, quando o homem deixara de ser sonhador pra se tornar um animal perigoso e intolerante.

 


     FELIZ DOMINGO

     Eis o dia dos Pais. Eu não comemoro esse dia, economizo uma boa grana. Minha mãe se separou de meu pai natural quando eu ainda estava na sua barriga. Daí ela passou a ser “minha mãe e meu pai”, como costuma dizer. Não sei como é a camaradagem entre pai e filho. Mas seria legal, ter um pai, acho que eu gostaria.

     Aliás, pensando melhor... assim ta bom. Tá bom demais.

 



Escrito por Leon K. às 21h09
[   ] [ envie esta mensagem ]




      ATITUDE ARRISCADA, FUTURO PERIGOSO

     Bem. Desde 2001, quando entrei no CEFET, deparei-me com uma classe de professores cujo Sindicato sempre foi politicamente ativo. Sempre foi uma oposição forte a FHC. E naquelas oportunidades, greves eram algo bem freqüente na Instituição.

     De lá pra cá, quatro anos, quatro greves.. nem a eleição de Lula aliviou a sanha de oposição que eles detém, com sua pequena visão política de petistas radicais que são (é uma crítica ao programa), e seguiram enfraquecendo o governo que eles próprios ajudaram a construir.

     Eu me posicionei - e comigo o movimento estudantil - contra a greve. É triste ver as pessoas derrubando o próprio governo que construíram. E me preocupa o que vem depois se o Governo Lula "fracassar". Não vai ser outra liderança salvadora. Não. Estarão de volta os elitistas, agora sem a ameaça de Lula, dispostos a privatizar o resto do País, apertar a forca pro lado do trabalhador, acabar com direitos históricos. Cometemos um grande erro.

Lula: alvejado pelos seus próprios eleitores

     Já fiz a crítica ao Sindicato, há uns meses (post 02 de junho - Sinasefe, o Suprasumo da Ingenuidade) e não preciso repetí-la. Eles aprovaram hoje uma greve por tempo indeterminado. Estou no Comando de Greve, e devemos organizar várias manifestações. Se eles insistirem na oposição, eu saio. É muito complicado, cansativo, angustiante, sabem...

 



      INJUSTIÇADO PELA PRÓPRIA IMAGEM

     Já ouviram falar no Jorge Vercilo? Pois e, eu não o suportava. Quando o vi por acaso na televisão pela primeira vez, alardeado como compositor de varias canções conhecidas, gravadas nas vozes mais showbizz da época, eu pensei que ele devia ter continuado escrevendo. Era melhor. Nem a voz eu suportava ouvir, muito menos vê-lo pulando e batendo palmas junto com uma “plateiada” feminina bem sorridente.

     Mas a gente entende coisas assim, típicas de alguém “tolerância zero”, cheio de frescuras como eu. Mesmo assim, nunca me dispus a ouvir e conhecer o Jorge Vercilo.


Outro lado da mesma história

     Pois dia desses, eu estava a assistir a TV Cultura, e vi a chamada pra um programa muito interessante de entrevista chamado Ensaio, e por alguma razão achei que poderia ser proveitoso acompanhar.
Eu já nem lembrava mais do programa, e quando pulava de uma emissora a outra, eu acabei caindo de pára-quedas na TV Cultura, justamente na hora do referido programa. E, num ambiente bem intimista, foi extremamente diligente vê-lo contar historias, sobre sua vida como musico ainda não-famoso, falar sobre sua vida pessoal, curiosidades acerca de algumas musicas e letras. E ainda foi ate contemplativo assistir a exibição de sua banda, tocando algumas musicas já muito tocadas nas rádios – e que eu nem havia me dado conta.

     E o fato mais curioso foi quando minha mãe passou na sala e viu o cara cantando, lá. Sempre afeita a comentários negativos, disse: “que cara mais morgado, devagar”. E foi quando me dei conta de que não era com o Vercilo que eu antipatizava. Era com todo o ambiente e a forma como era mostrada sua carreira. O mainstream acaba com o artista...

 




     Eis uma explanação interessante, feita por Eduardo Cabral, numa comunidade de discussões no orkut da qual faço parte (Filosofia e Psicanálise), e à qual eu também assino embaixo:

MODERNIDADE

Atrás de todo artificio das grandes cidades, galgando entre devaneios tolos e irrealizáveis,
acreditando numa realidade que não existe.
Produto de uma mídia inescrupulosa desvirtuosa e ambiciosa.
Perdido entre ideologias contraditórias, sentimentos artificiais.
Vivendo com medo e todo o tipo de preocupação.
Pessoas que fazem da vida quotidiana um verdadeiro palco de teatro.
Pessoas com sentimentos freqüentes de
frustração, impaciência, raiva, ira depravamento, imediatismo, solidão, ciúmes e inveja.
Eis o produto final da sociedade moderna




Escrito por Leon K. às 12h54
[   ] [ envie esta mensagem ]




     COMO SE FOSSE PASSADO

     Ontem foi aniversario do meu primo, de 14 anos. Fiquei meio nostálgico enquanto estava lá, lembrando de quando eu mesmo tinha essa idade. Era uma fase nova, na minha vida. Foi com 14 anos, se me lembro bem, que aconteceram grandes mudanças na minha vida particular. Desde o “estupro” a minha prima, ate a fundação de uma banda de rock, chamada Cavalo Amarelo, e a minha ida ao Partido Comunista, solicitando minha filiação (recusada).

     Essa era a fase mais complicada da minha vida. Ao meu desprezo por muitas coisas banais, coisa que sempre carreguei num âmago pouco invejável que eu tenho, somava-se a inexperiência de um moleque ainda se acomodando a complicada vida de adolescente. Uma crise de cunho existencial, iniciada ainda aos 13, que se compunha de literatura muito niilista, musica muito fora de regra, uma fase conturbada na família e uma anti-sociabilidade extrema, coisa que só me propus combater quando fiz banda, com uns colegas que também eram assim. E toda a pressão que partia da atitude – extremamente prejudicial – de eu ser considerado garoto-prodígio na minha família. E aos 15 eh que os últimos resquícios desta fase determinaram o marco final de um período em que experimentei muitas coisas diferentes opostas (desde livros ate chá de cogumelo) e que me levaram a um ato-cheque – talvez o mais impensado, talvez o mais natural da minha curta vida.

      Penso sempre como deve ser extremamente ruim quando qualquer pessoa sofre esses baques, e penso (e me preocupa) como qualquer pessoa esta submetida a isso, por mais que muitas, admiravelmente, tenham uma personalidade bastante firme e avessa a intervenções desta forma. Mas quando se começa a ver coisas de uma forma diferente, quando uma realidade torna-se diferente daquilo que ate então era natural, qualquer pessoa corre o risco de sucumbir a mim mesmo. Eu “nunca mais me curei”, digamos assim, uma vez que continuei a manter hábitos desta fase, mas aprendi a lidar com essa falta de sentido no que eu via, algo assim.

     Espero que meu primo não passe por isso.

 



Escrito por Leon K. às 13h40
[   ] [ envie esta mensagem ]




     INTELECTUALIDADE PRÉ-ADOLESCENTE

     É, e nessa madrugada apareço ali num canal de Filosofia procurando um bom debate. Quando noto alguém de um nick estranho convidado qualquer tal pra discutir filosofia no MSN, e claro, me proponho ao serviço. Só quando a gente chega no Messenger é que vejo que se trata de um menino de 11 anos, ainda a cursar a 5ª série. humrum...


É, encontrar geniozinhos como o Franjinha não é tão raro

     Mas eu não vejo problema nisso, e sempre carrego mais do que mera boa-vontade quando teclo com crianças. Mas o garoto era inteligente. Ele já havia lido um pouco de Zaratustra, e de Platão. Lembrei que quando eu tinha 11 anos, meu autor preferido era Shakespeare. E falei de como as coisas complicaram depois que descobri a filosofia, quando você lê coisas que o ajudam a abrir a cabeça e compreender que se está aqui pra nada, por vezes. Eu não gosto de conversar isso com gente assim, nova. Acho que por isso não penso em ter filhos.

     Eu com 11 anos não lia filosofia. Só estudava pro que o professor mandava. Foi quando mudei a escola pela primeira vez, foi ruim. Mas quatro anos depois, eu concluía o fundamental congratulado como o melhor aluno da escola. E o que ganhava de prêmio? Uma caneta. O meu camaradinha não deixou de fazer um comentário sobre isso: "aos bons do esporte, dão os troféus mais maravilhosos; aos bons no conhecimento, dão uma canetinha."

     Enfim. Uma boa conversa sempre vale a pena. E o menino ainda contou como leu Nietzsche e ficou ateu, "só por uns dois meses". Travamos boa conversa, sobre filosofia da linguagem, religião e física clássica. Queria ter sido assim aos 11 anos. Lembro que só aos 15 me dei conta de que tava fazendo tudo errado.


Nietzsche: fascínio e dilema para qualquer cabeça, qualquer idade

     Mas é isso aê. Sorte a dele, tão à frente de seu tempo. E eu vou tentando acompanhar, pra aprender e evoluir com quem menos se espera.


     NA BASE DO 'PORQUE'

     É verdade que tá havendo aí toda uma difusão da "cultura do arrependimento". É quase uma unanimidade que o governo Lula foi eleito pra uma coisa e tá fazendo outra (inclusive roubando). Mas a gente tem que abrir os olhos pros discursos fáceis.

     Hoje os partidos perderam seus programas. Todos tentam ganhar espaço em cima de quem faz a maior crítica ao governo Lula. Mas, quanta palhaçada! Ficam a rosnar e culpar o próprio Lula. A histérica Heloísa Helena brada que recebeu ameaças de morte, e que "alguém no governo a quer fora de cena". O Arthur Virgílio, notável representante dos patrões vomita na maior sem-cerimônia: "ou o Lula é idiota [por ter cooperado com a corrupção] ou é incompetente [por não combatê-la].


Lula: corrupto "porque tem que ser"

     Mas quanta merda! Acusam o Lula não baseando-se em evidências, mas sim no fato de que o presidente, por ser o presidente tinha que saber dos escândalos de corrupção. Mas ora, ora. O que é corrupção senão uma negociação feita por baixo do pano, às espreitas? Se fosse de conhecimento de todos, não seria corrupção!

     É bom tomar cuidado com as referências, principalmente quando se têm figuras tão (aparentemente) opostas como Heloísa Helena e ACM Neto falando a mesma língua...

 


     TERRORISMO DE ESTADO TUPINIQUIM

     E enquanto o povo chora e protesta a morte do brasileiro fuzilado pela polícia britânica, vítima de um Estado Policial em luta ferrenha contra o terrorismo, o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (eleito no 1º turno ano passado) defende (em tom de campanha presidencial - ele é pré-candidato do PFL para 2006) que seja colocado o Exercito Brasileiro nas ruas pra combater o tráfico na cidade. E o povo concorda!

      Será que ninguém vê que se trata do mesmo filme, aqui e lá do outro lado do Atlântico?!

 



Escrito por Leon K. às 05h02
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

     NOVIDADES IMPRESSAS

     E novidades, eu tenho poucas. Mas simbólicas. Uma delas foi que enfim eu tive sorte no sorteio - eu já tive uma vez, mas a única coisa que havia ganho foi um panetone no Natal de 2003...


Dá-lhe, dá-lhe livros

     Dia desses ganhei no canal de discussão filosófica #Philosophy da BrasNet, um limite de cento e tantos reais pra gastar com livros. Enfim algo de futuro. Dentre os que comprei, uns eujá havia lido: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, eu comprei pra "ganhar uns pontos" com minha mãe (sugestão dela). Além deste,  A Ideologia Alemã, de Karl Marx e Friedrich Engels, O Elogio Ao Ócio, do filósofo e matemático Bertrando Russel, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, que havia lido desconfortavelmente como ebook.

     Dentre os novos livros, que no máximo eu só havia folheado, têm Além do Bem e do Mal, de Nietzsche, Assassinatos na Academia Brasileira de Letras, do Jô Soares e O Idiota, de Dostoievsky. Nunca adicionei tantos livros - novos - à minha minibiblioteca de uma só vez, assim. E pra quem não tem lido muito ultimamente, é prato cheio...

*     *     *     *     *

     E paralelamente eu também adquiri O Mistério do Trem Azul, da Agatha Christie (pura masturbação intelectual) e As Portas da Percepção, também do Aldous Huxley, sobre sua memorável experiência com mescalina. Completo, tudo completo. E férias recheadas de literatura. Enfim.

 



Escrito por Leon K. às 18h21
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

     A DEMORADA VOLTA

     Enfim enfim! Estou de volta! Foi-se o tempo, a folga durou, mas eu reapareci! Ahhh, eu reapareci!

     É, a crise se abateu, meus camaradas. Estou sem computador, os blogueiros estão sendo perseguidos no CEFET, a net, nos cybercafés da vida, cai justamente na hora em que tento postar. Mas os tempos mudaram. Apareci, e hei de voltar a postar com a freqüência de sempre - a de sempre, sim.

     Ah! Enfim, estou de férias. É verdade que ninguém sabe se o CEFET tá em recesso, ou se já decretaram greve. Mas que num tá tendo aula (enfim, não), lá isso é o mais importante.

 


     E voltando ao papo furado nosso de cada dia...

     Tenho passado férias hoje como não via há um bom tempo. É que são as primeiras que passo sem computador desde... acho que 2001... realmente muito tempo. E é difícil, era quase um vício psíquico. Nem estimulantes me deixam tão submisso quanto o sou ao computador. Mas enfim...

     Atenho-me a observar os vizinhos. E nessas horas me sinto velho, vejo os meninos que jogam bola. O mais velho ali deve ter uns 10 anos. A menina mais gostosa da rua não deve ter mais de 8. É uma verdade que as últimas gerações têm se desenvolvido rápido demais. E eu, próximo dos 20, ainda num tenho nem 1,65m...

 


     TV SEM FUTURO

     E, na falta de opções, tive eu de aceitar o fato de que só me restava, por enquanto, assistir à televisão. E ontem, vagueando com o controle, deparei-me com mais uma discussão política - não, não era nenhum ex-guerrilheiro que estava no debate, nem tampouco deputados ou jornalistas políticos. Estavam lá o comentarista de futebol Jorge Kajuru, o diretor de teatro Cacá Rosset, a apresentadora extemporânea Hebe Camargo, e a ridiculamente inecifrável Adriane Galisteu. Estavam lá, os quatro, discutindo


Cacá Rosset é um cara admirável, mas costuma aparecer em cada programinha de TV...

     Enquanto Cacá Rosset era o único que inteligentemente e educadamente se mantinha calado em certos momentos, o Kajuru dava cenas de moralismo exacerbado, a Galisteu dava respostas vagas e clicherizadas como "gosto não se discute" (próprio dela) e a Hebe atrapalhava os poucos bons momentos de discussão produtiva (entre Cacá e Kajuru) mostrando uma santa e berrado "nossa senhora Aparecida, salve este país". É muita desesperança. Só poderia partir de logo quem...

 



Escrito por Leon K. às 15h20
[   ] [ envie esta mensagem ]




 
 
     AINDA HÁ ALGO DE BOM
 
     O blogueiro Edu BeckandRoll, certa vez abordado por um amigo que se perguntava se "nunca mais haveria música pop de rádio de qualidade, neste país", teria afirmado que essa banda seria O Rappa. E não podia estar mais certo. Não sou o que se pode chamar de um grande ouvinte, mas concordo quando se diz que O Rappa faz parte do primeiro rol de artistas que surgiram nos últimos anos.
 

Com arranjos avançados e mensagens viris, O Rappa cada vez mais torna-se referência na música brasileira
 
     Com uma música própria, fugindo da mesmice que tem se transformado o rock mais comercial no Brasil, letras fortes e contundentes, e formas bem particulares de chamar a atenção do público, O Rappa é um raro exemplo de música de qualidade que se pode ouvir, vez por outra, nas rádios, onde reina a mediocridade.
 
     Esta semana, a banda carioca conquistou dois prêmios na MultiShow - ao lado de outras personalidades da música jovem, ganharam o prêmio de Melhor Grupo e Melhor Show, saindo como um dos grands ganhadores da noite. Depois de ter ido a dois shows dos caras, apenas assino embaixo.
 

 
     ARNALDO BAPTISTA E OUTRAS COISAS
 
     E eu comprei uma edição antiga da OutraCoisa - as coisas demoram pra chegar aqui em Natal -, a revista de música idealizada pelo Lobão e um raro espaço de discussão sobre música alternativa no Brasil. Na revista que comprei (todo mês ela lança um CD, cujo boníssimo preço conjunto é de 12 reais), era apresentado o disco dum dos fundadores dos Mutantes, o multiinstrumentista Arnaldo Baptista.
 
     O álbum, chamado Lei It Bed, contém músicas inéditas escritas nos últimos 30 anos do artista, além de ótimas regravações, típico one man band, já que ele canta e toca todos - todos - os instrumentos utilizados no disco. Além de um marco do cenário independente, a OutraCoisa mantém sua nobre política de oferecer espaço para divulgação de artistas alternativos e torna-se uma rara mídia pra quem quer acompanhar o que se passa nos porões do Brasil, que segundo Lobão, vive a melhor fase musical de sua história - mas ninguém aproveita isso. Arnaldo Baptista, com seu psicodelismo, sua poesia e sua sutilidade é um presente enorme pra qualquer amante da música. Arnaldo, por sinal, é tido por alguns como "único sujeito que poderia desafiar musicalmente os Beatles". Por sinal, dia desses, o disco Mutantes, primeiro oficial da banda fundada por Arnaldo e Rita, foi considerado um dos mais experimentais da história da música, acima de clássicos dos Beatles e do PinkFloyd. Justiça seja feita, o disco é algo de outro mundo!
 
     A décima edição, já lançada, da OutraCoisa traz o disco novo do Lobão, "Canções Dentro da Noite Escura". Tomara que não demore a chegar a esta província.
 
Lobão, raro exemplo de músico que largou o sucesso fácil pelo revolucionário apoio a trabalhos independentes - trazendo à luz do dia o som underground
 
 


Escrito por Leon K. às 02h26
[   ] [ envie esta mensagem ]




 
 
     RESPOSTA PRÉ-DEFINIDA
 
     Dia desses, estava eu, quase prestes a desconectar para dormir - algo para o qual faço uma verdadeira cerimônia -, já com um sono forte batendo a cabeça, quando vi algo sobre cola. Não me refiro aqui ao produto, e sim à prática, à arte de colar - de barganhar respostas antes de fazer algum exame.
 
 
     Daí fui rechear de inutilidades meus últimos momentos conectado, vendo alguns casos de pessoas narrando suas colas, aquelas históricas, que realmente salvam vidas. Bateram-me algumas lembranças, e a consciência, mais do que nítida, de como a cola e seus derivados foi importante na minha vida - mais do que importante; foi algo presente durante toda minha história escolar.
 
     Nos meus primeiros anos como estudante, eu não precisava de cola, é verdade. Ninguém precisa. Além do mais, eu era um menino muito estudioso. Alguém lembra daquela propaganda do governo em que um menino dizia meu melhor amigo é o livro? Pois bem, conta a minha avó, que eu já dizia isso com cinco anos. A minha única forma de buscar vantagens, lembro bem, era ainda na fase do maternal, quando a professora mandava escrever de 1 a 100 - e eu pulava alguns números. Mas aí era só pra terminar as prova mais cedo.
 
     Meus primeiros quinze anos de vida, sempre foram dedicados ao estudo. Mais do que - raramente - pedir cola, eu as cedia pra turma. Quando cheguei no ensino médio, uma escola diferente, pessoas diferentes, cabeça diferente, eu comecei a caminhar de forma diferente também. E não passaria naquele ano em Química e em Matemática não fosse uma cola na prova final - sem falar nas bimestrais. No ano seguinte, práticas antigas não se repetiam, como trocar provas, mas eu conseguia bons dividendos. Hoje mal conheço a tabela periódica, mas em pleno 3o ano, o professor de Química considerava-me o melhor do meu grupinho de amigos - enquanto eu era o último a receber a cola -, porque nós tirávamos 10,0. Aos meus amigos, que me passavam a resposta, o professor olhava desconfiado.
 
Num bilhete, a solução dos problemas
 
     Quando fui reprovado, no meu último ano como secundarista, a coisa pegou. Tive de entrar em turma nova, onde todos estudavam e ninguém colava. Não deu outra: fui reprovado de novo. Mas aí eu já era presidente do Grêmio e tinha contato direto com os gerentes, o que facilitou minha aprovação. No meu curso técnico de Geologia, não deu certo: colei durante um ano e meio, mas acabei sendo reprovado nos três semestres que cursei. Mesmo assim, mantive a prática. No último vestibular, colei mais de uma dezena de questões, e ainda passei em 2o lugar no ranking geral.
 
     Hoje sou um colador inveterado. Detesto assistir às aulas chatas de Desenvolvimento de Software - detesto fazer qualquer outra coisa no computador que não seja dar uma boa navegada. Freqüento pouco às aulas, mas meu boletim é o melhor que apresento desde 2002. Devo ou não estar feliz?
 
     Daqui a duas semanas haverá o concurso do TRE. Se eu passar nesse negócio, minhas perspectivas param por aí. Ganhando 2500 por mês e morando sozinho, não quero mais nada. E mais do que nunca, eu preciso duns pontos extras.
 
 
 


Escrito por Leon K. às 21h55
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

     UM DESSERVIÇO AO BRASIL

     Alguém leu a SuperInteressante esta semana? A minha revista preferida, compiladora de grandes matérias sobre os mais diversos assuntos, lançou discussão a respeito dum dos assuntos mais controversos que poderia expor: a Rede Globo, detentora extra-oficial dos destinos da Nação.

     Tudo bem que a revista expôs tanto bens quanto males da emissora, desde sua fundação, até nossos dias, mas a ética jornalística firmou a estratégia utilizada, que visava a nada mais que redimir a Globo: simplesmente deu mostras de como a Organização intervia na política, na vida social, enfim, nos rumos que o País tomava pra depois fazer dela berço do avanço cultural brasileiro, e porta-voz da população.

     O fato é que a Globo está longe de ser considerada benéfica à sociedade brasileira, salvo localizadas exceções. Primeiro fato: a Globo é filha legítima da ditadura militar que reprimiu toda uma geração, e serviu como braço ideológico do regime, moldando corações e mentes de milhões de brasileiros. Naquele contexto, nunca se pronunciou contra a censura prévia à imprensa (apresentava receitas de bolo no Jornal Nacional) e ignorava a violência contra militantes políticos (aliás, anos depois, em 1989, o próprio Roberto Marinho em pessoa encarregou-se de censurar a cobertura das eleições gerais daquele ano). Quando algum aparecia morto, dizia-se que havia sido atropelado. Oportunista, sempre esteve ao lado dos governos, civis ou militares, fosse o presidente um latifundiário, um general, um sociólogo, um metalúrgico ou um corrupto descarado.

     O Jornal Nacional, considerado suprasumo do jornalismo televisivo, nada mais é que um departamento de manipulação. Não basta ser taxado carinhosamente de Ilha da FantaSia, por distorcer notícias, omitir fatos e ficcionar a História brasileira e mundial. É de conhecimento geral que o noticiário veicula seus informes com um irrisório vocabulário de não mais que 850 palavras, e apresenta o quadro político nacional e internacional de não mais que uns vinte minutos, tão rapidamente que não permite às despreparadas mentes de seus telespectadores o raciocínio acerca do que é passado. E se tiver algum integrante da emissora envolvido, imagine-se! O quase imperceptível em vida jornalista Tim Lopes, de quem eu podia até ter ouvido falar antes de sua morte (a imagem que ele ganhou foi de um herói morto, e pouco ou nada lembram de sua vida) virou mártir do jornalismo, ganhando especiais e mais especiais. Superou até o Papa, de cuja agonia e funeral foi tido como o fato mais noticiado da História.

     A programação da Globo trata o telespectador como se fosse deficiente mental, dando-lhe tudo pronto e mastigado, para sentir sem refletir, enquanto o embala com temas suaves e músicas melosas deixando-o receptivo à enorme quantidade de lixo que vendem como informação ou cultura. A idolatria que a TV tradicionalmente faz. Veja-se o caso de Ayrton Senna, cuja vida e morte é mitificada e alimentada a cada ano. Mais do que um esportista de fato fora do comum, ele é um fetiche audiovisual dos brasileiros.

     Sem falar na incompetência na elaboração de planejamentos financeiros. Há meses atrás, a emissora chantageava o Governo para que o BNDES lhe cedesse um bilhão de reais, pra sanear suas dívidas, adquiridas em compra de direitos de transmissão de torneios internacionais de futebol. Que, na verdade, não passa de monopólio de informação: há três semanas o UOL Esporte não podia sequer apresentar os gols da rodada do Campeonato Brasileiro, já que estes só poderiam ser liberados pela Globo. E se o Brasil é o País do futebol, a Globo tem prato cheio: ou não se sabe que Galvão Bueno, com sua voz metálico-ufanista faz lá seu lobby, pressiona dirigentes, escala jogadores e demite técnicos de Seleção? Ainda falando em futebol, o canal ainda subverteu este que é um dos mais tradicionais e sagrados pilares do povo brasileiro: jogo ao vivo na TV só depois da novela das oito. E alguém se lembra dum célebre jogo entre Brasil x Argentina, em Buenos Aires, em 2001, quando a Globo tentava adiar o jogo em uma hora, pra permitir a exibição da novela antes? Pois é, não conseguiram e ainda fomos malhados pelos argentinos: "os brasileiros preferem ver novela a futebol". Mas pra emissora é sagrado: a novela - das oito - ainda foi exibida, depois do jogo - às 22h.


Nunca a Globo prestou contas à opinião pública sobre o destino do dinheiro do projeto Criança Esperança. Mas, em se tratando duma organização privada, sabe-se que ele vai para muitos bolsos. Uma merreca vai para os Programas de Caridade.

     Tocando no assunto novelas, talvez o tema em que haja mais discussão. Mas não há o que discutir: através delas, Roberto Marinho até a fala do brasileiro, jogando no ralo a cultura, o folclore, o dialeto e os sotaques regionais. Nelas, 90% (ou mais) dos atores são brancos, bonitos e musculosos. Os poucos atores negros agem como brancos. As atrizes negras que não são empregadas domésticas são lindas e gostosas, e hão de posar pra Playboy. Aliás... 80% deles não são atores: são modelos de publicidade, que aparecem principalmente naquele laboratório de 'artistas' tido como novelas chamado Malhação. Sem falar nos enredos em que o pessoal vive correndo atrás da mãe verdadeira, do pai verdadeiro e a grande dúvida é saber se o filho é legítimo, a que chamam dramaturgia.

     Tenho dito. Não há nem o que discutir. Ah, a Globo também trouxe algo de bom? Mas claro.. num é possível que em 40 anos não tivesse trazido nada de proveitoso. Mas tenho plena ciência de que com esse post faço mais bem à liberdade da consciência humana que a Globo o fará com toda a próxima semana de programação.

 



Escrito por Leon K. às 11h38
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

     ESPETÁCULO PRA NINGUÉM

     Basta imaginar. Um filme é bem investido. Não precisa ser uma superprodução. Apenas a produção de um filme, que, pelo menos em roteiro, tem tudo pra dar certo. Só depende dos atores.


Onde já se viu público não-bem-vindo?

     Feito tudo, desde a pré-produção, a escolha dos atores, a gravação, as edições finais, dados os devidos créditos, lança-se o filme. No entanto, os ingressos, não são vendidos. Os cinemas em que o filme será exibido estará de portas fechadas. Por alguma razão, o público está perminantemente proibido de assistir ao filme (não, o filme não contém cenas fortes de sexo, violência, ou nada disso). Peculiar, não? Aliás, peculiar não - incompreensível.

     Esquisito, não? Mas é o que a justiça está propondo agora como forma de punição. Depois da partida em que perdeu por 5x1 para o São Paulo, o Corinthians, por culpa de alguns torcedores que invadiram o gramado e perturbaram a segurança do jogo, precisou ser julgado, e além de pagar uma multa, recebeu como punição a determinação de jogar duas partidas de portões fechados, simplesmente. Essa punição também se estende a outros clubes com problemas parecidos. É, na sua síntese, a mais irracional forma de punição, que atinge não só ao clube julgado, mas ao próprio fim do futebol que é promover o entretenimento social e o lazer. O futebol, hoje, é um produto, e o torcedor é um consumidor, isso não se discute. Determinar que uma partida seja realizada a portões fechados, sem a absoluta presença de nenhum torcedor foi definitivamente a pior forma que a justiça desportiva encontrou de punir um clube - foi punindo ao bem que a mantém viva - o próprio esporte.

     E pela irracionalidade de um punhado de senhores ignorantes da importância do esporte como lazer para a família brasileira, o duelo entre os clubes de maior torcida do País, Flamengo x Corinthians, ficará restrito à visão de um grupelho pequeno de jornalistas, e só servirá de barganha para as endinheiradas redes de televisão que detém os direitos de transmissão - há muito tempo elas sonham em monopolizar grandes partidas. E encontram um meio estratégico pra isso. E o futebol, como cultura brasileira, tava demorando pra ser dessa forma atacado.

 


     DE VOLTA À FARRA

     E o presidente do PTB Roberto Jefferson segue fazendo denúncias (sem provas) e escancarando corrupção na boca do povo. Enquanto de um lado, o governo agiliza sindicâncias, Ministério Público e Polícia Federal pra investigar o escândalo do mensalão, segue com a popularidade por um fio, estando o PT, mito político brasileiro, no fio da navalha.

     Sobre investigação de corrupção, claro, não se discute. Agora, o Jefferson fazer denúncias de todo tipo e na maior sem-cerimônia dizer que não tem provas, é cruel. Denúncias sem provas são vazias de crédito, e seu ônus cabe ao acusador. Em qualquer país desenvolvido, um acusador que não justifica o que diz vai à cadeia. E o Roberto Jefferson tá longe de ter credibilidade para fazer denúncias infundadas.

     Ou o Governo demonstra firmeza e agiliza punições aos envolvidos no escândalo, ou a tão-falada democracia brasileira nada mais tem de consolidada que o oba-oba.

     Pão e circo para o povo, depois dos escândalos.

 



Escrito por Leon K. às 06h05
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

     COM SABOR DE NOVIDADE

     Enfim! Enfim! Enfim algo diferente! Chamem da forma que quiser, desde antipatriotismo até indecisão-feminina-por-time-de-futebol, mas enfim o Brasil perdeu para a Argentina!

     Não se trata aqui, naturalmente, de mais uma dessas declarações Mainardianas de dizer que o Brasil não presta, mesmo. Trata de reverenciar um grande bem que o futebol, como principal meio de entretenimento esportivo, pode nos trazer que é o prazer de assistir a um espetáculo, a um show de bola, sobre cujo palco estão definitivamente as duas maiores seleções do mundo.


Brasil, futebol pentacampeão, sem adversários - e sem emoção

     Esse bem a que me refiro vai além dos interesses "nacionais", se é que há interesses realmente nacionais na Seleção Brasileira pós-Médici. O que digo é que assistir a um clássico como Brasil x Argentina torcendo pra qualquer um dos dois times é perder a chance de acompanhar um grande jogo de forma neutra, que permite observar melhor, os dois. Mas minha crítica não é o fato de não torcer pelo Brasil. O problema é que desde 2001 o Brasil não perdia pra Argentina. A meu ver, isso era uma grande injustiça que um embate desse porte tivesse um freguês. Assistir a jogos entre ambas as seleções estava-se tornando, já, algo extremamente entediante. Bastante chato. O Brasil ganhava sempre. Um clássico desses não merecia isso. A vitória da Argentina deu um toque a mais. Eu gostei da novidade.

     Eu nunca simpatizei com a seleção brasileira, na verdade. Aliás, outra verdade, nunca expressei muito brasileirismo quando se trata de futebol. Em qualquer outro esporte, tudo bem. No futebol, é algo universal demais, já. Os melhores campeonatos do mundo são o Inglês e o Espanhol, mas o Brasil é a melhor seleção. Única a disputar todas as Copas. Única a vencer cinco delas. Superioridade que incomoda. Ao menos a mim. Em 1994 vi o Brasil ser campeão, em 1998 vice, em 2002 campeão de novo. Em nenhum desses, gritei pela seleção, porque não tem mais graça, você já sabe o resultado. É um pouco como o basketball dream team americano. Na última Copa, torci para os alemães na final. Eles eram tri, se ganhassem empatavam conosco. A disputa seria bonita, já que estes são de fato, os dos países com maior história de conquista. A corrida pelo penta pegaria fogo, e aí sim, a Copa de 2006 teria o que mostrar. Agora não... a Copa já tem praticamente seu campeão: o Brasil, mais provável, ou, se muito, a própria Alemanha, que vai jogar em casa.


Crespo comemora, Adriano observa: dessa vez a Argentina levou a melhor.

     De qualquer forma, esta derrota do Brasil em Buenos Aires serviu para diminuir um pouco da arrogância brasileira. Ultimamente são os argentinos, tradicionais provocadores, os provocados. Com razão, é verdade, já que sempre são surrados. Mas uma vitória de vez em quando é bom. E eles experimentaram este gosto pela primeira vez em quatro anos. E eu, aqui, enfim assisti e gostei de um jogo do Brasil.

 



Escrito por Leon K. às 04h00
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]




 



Meu perfil
BRASIL, Nordeste, NATAL, Pq. Industrial, Homem, de 15 a 19 anos, Portuguese, Música, Livros, Garotas, Futebol, Política, Ócio
MSN - lknunes@msn.com
Histórico
  04/09/2005 a 10/09/2005
  28/08/2005 a 03/09/2005
  14/08/2005 a 20/08/2005
  07/08/2005 a 13/08/2005
  31/07/2005 a 06/08/2005
  24/07/2005 a 30/07/2005
  03/07/2005 a 09/07/2005
  26/06/2005 a 02/07/2005
  19/06/2005 a 25/06/2005
  12/06/2005 a 18/06/2005
  05/06/2005 a 11/06/2005
  29/05/2005 a 04/06/2005
  22/05/2005 a 28/05/2005
  15/05/2005 a 21/05/2005
  08/05/2005 a 14/05/2005
  01/05/2005 a 07/05/2005
  24/04/2005 a 30/04/2005
  17/04/2005 a 23/04/2005
  10/04/2005 a 16/04/2005
  03/04/2005 a 09/04/2005
  27/03/2005 a 02/04/2005
  20/03/2005 a 26/03/2005
  13/03/2005 a 19/03/2005
  06/03/2005 a 12/03/2005
  27/02/2005 a 05/03/2005


Outros sites
  O Elogio Ao ÓCIO
  Leon K. no Orkut
  UOL - O melhor conteúdo
  Sociedade da Terra Redonda
  Vermelho - A Esquerda Bem Informada
  Ceticismo Aberto - Paranormalidade e UFOlogia sem ofender sua inteligência'
  União da Juventude Socialista - UJS RN
  Baderna Digital - Política, Cultura e Variedades
  Millôr Fernandes (também é sobre tudo)
  Portal Brasileiro da FILOSOFIA
  A Nossa História
  CPI dos Correios
  O Maravilhoso e Interessantíssimo Mundo da Jordana - Blog
  Fases da LYA Suryedaks- Blog
  Café Dostoievsky - Blog
  Enquanto O Mundo Explode - Blog
  ÓPIO Diário Eletrônico Entorpecente - Blog
  A pergunta que não quer calar - Blog
  Marcela, a Insane - Flog
  A Garganta da Serpente - "Poesia, Caos, Paixão"
  My Life - Blog
  Diário de Um Lunático - Blog
  O Espírito da Coisa - Blog
  BLOGRADOURO® Geografia, Geopolítica, Educação e Variedades - Blog
  Eu, eu mesma e Sacha - Blog
Votação
  Dê uma nota para meu blog



O que é isto?


Dicio
nário do Cético
Uma coletânea de crenças estranhas, enganações divertidas
e ilusões perigosas.

 

 

Leia este blog no seu celular

Nas grandes cidades,
no pequeno dia-a-dia,
O medo nos leva tudo
(sobretudo `a fantasia)

Então erguemos muros
que nos dão a garantia
de que morreremos cheios
de uma vida tão vazia

Nas grandes cidades
de um país tão violento
Os muros e as grades
nos protegem de quase tudo

Mas o quase tudo
quase sempre é quase nada
E nada nos protege
de uma vida sem sentido

Um dia super, uma noite super
(uma vida superficial)
Entre as sombras ,
entre as sobras da nossa escassez
Entre cobras,
entre escombros da nossa solidez

Nas grandes cidades
de um país tão irreal
Os muros e as grades
nos protegem de nosso próprio mal

Levamos uma vida
que não nos leva a nada
Levamos muito tempo
pra descobrir que não é por aí...
não é por nada não...
não, não pode ser...
é claro que não é, será?

Meninos de rua,
delírios de ruínas
Violência nua e crua,
verdade clandestina
Delírios de ruína,
delitos e delícias
A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo,
medo de brincar
Em anúncios luminosos,
lâminas de barbear

Viver assim é um absurdo
(como outro qualquer)
Como tentar o suicídio
ou amar uma mulher

Viver assim é um absurdo
como outro qualquer
Como lutar pelo poder
Lutar como puder...