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PATÉTICA DESPEDIDA
Muito bem. Enfim (acho que posso dizer dessa forma) terminou a novela das oito, a tão falada Senhora do Destino. Eu, como costume, assisto apenas os primeiros capítulos de algumas novelas. Por sinal, os primeiros (o primeiro) capítulos desta foi interessantíssimo, por se tratar da interpretação de um dia-marco na história do nosso país, que não convém explicar agora.
 Renata Sorrah: a única intérprete de verdade no meio dos "talentos" medíocres que recheou a novela.
Com a já característica péssima interpretação dos atores (não assisto novelas não por preconceito, e sim pelo evidente baixo nível dos elencos), a última trama da novela (o roubo do bebê pela vilã Nazaré), feita de forma extremamente impensada (e apressada) foi algo de se jogar fora sem direito a reaproveitamento. A Renata Sorrah, que interpretou a vilã nacional Nazaré foi, por assim dizer, a única que trabalhou bem, não só neste final, mas em boa parte da novela, ao menos o que ainda pude acompanhar.
Com críticas políticas completamente não-dotadas de seriedade, que passava desde a quase-exibição da imagem do próprio demônio na pessoa dos políticos, até o fato não-salutar dum personagem não receber o dinheiro do INSS, a novela apenas ajudou a difundir ainda mais o pragmatismo e o conformismo, numa triste sociedade extremamente inculta e falocrata.
E no final ainda fez crer que o absurdo é possível ao apontar uma menininha de 15 anos como futura prefeita de tal cidade, baseando sua compreensão política "na ética" e em mais umas coisas lá que a personagem certamente sequer ouviu falar. Uma outra seria a primeira brasileira a ganhar o prêmio Nobel. Da Paz. Isso por incentivar o "paternalismo com responsabilidade", falando sobre riscos do sexo não-cuidado, tal, tal... o mundo se acabando e daqui a dezoito anos a prêmio Nobel da Paz ganhará o prêmio por ensinar sexo seguro. Realmente...
Uma novela ruim de acompanhar, é verdade. Cansativa, em diversos pontos. E mal-feita, acho que a novela das oito mais mal-feita dos últimos tempos. Péssimos atores. Nem os famosos se salvaram. Tá vindo aí uma nova novela.. e pelo jeito (o próprio nome da novela é América) a Globo vai seguir na contramão dos fatos e tentar limpar a imagem americana aqui no Brasil. Vai conseguir. A Globo consegue tudo. Por isso estamos perdidos.
O TRIUNFO DA RAZÃO
O Severino Cavalcanti, novo presidente da Câmara, e terceiro homem da República durante esses dias que se seguiram à sua vitória no Congresso, virou alvo preferido do chargista do Jornal Nacional. Só assim mesmo, com um novo bode expiatório pra que parassem de pegar no pé do presidente Lula.
 Em poucos dias da gestão Severino, já pudemos ver uma mostra do que é a política de um coronel
Severino, por sinal, católico inveterado e conservador, fez de tudo pra barrar na Câmara a aprovação das pesquisas com células-tronco, fosse através de declaração de contrariedade, fosse através de medidas próprias do presidente da Câmara. Mas ao final precisou mesmo ceder. Os evangélicos se dividiram, os católicos falharam bastante em suas articulações, e, no final, com 399 votos a favor, o Congresso respeitou o caráter laico do Estado, tornando livre as pesquisas com células-tronco, agora livres dos preconceitos dogmáticos religiosos.
Restou o velho Enéas Carneiro, outro católico, esbravejando com sua voz peculiar: "O que vocês vão aprovar aqui é o assassinato de seres vivos já concebidos!"
"Se Jesus sofreu, vocês também podem sofrer", frase de um jovem católico, presente na Câmara para protestar pela aprovação da pesquisa. A frase é uma referência aos deficientes que esperavam a aprovação da medida. O catolicismo é cruel.
Escrito por Leon K. às 18h31
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BIG BROTHER: SEM SURPRESAS
Há semanas eu já falei que o Big Brother tornou-se (hoje) apologia da ignorância. Já não basta ser programa destinado a fazer pessoas como objeto de divertimento egoísta e cruel (embora eu adore ver as pessoas se digladiando - exatamente como aqui fora).
Eu não assisto, naturalmente. O último paredão, então... as poucas cabeças da Aline (perdoem a forma de expressão, eu falar mal de quem quer que seja, publicamente) e da Graziella foram o ápice de como prevalece a mediocracia nesses dias. Irrita é ver as pessoas dizendo que a miss Graziella venceu por "ter se mostrado uma pessoa simpática, sensível(...)", como se ninguém nota-se que em nenhum (nenhum!) momento ela fala algo de útil.
 Aline abraça o pai após sair do Big Brother; depois de ter abraçado o Bial
Mas nada é surpresa neste programa. Na verdade, tá tudo muito bem definido. As pessoas que saem, vez ou outra, e mesmo as que vencem. A Marielza não saiu porque estava doente; saiu porque estava se comportando de um modo que, segundo os estatísticos da emissora, talvez, não agradaria a um público de casa. A coisa mais fácil é provocar um AVC falso em alguém. Isto é, se for preciso tanto.
Jean vai vencer o Big Brother, isto é quase certo. Não sendo ele, certamente o bolão não escapa da Pink. Mas provavelmente ficará com ele mesmo; uma forma de mostrar que o preconceito no Brasil tem diminuído a cada ano. O Big Brother virará referência na luta dos gays pelo reconhecimento.
Por sinal, a quem quiser acompanhar uma leitura estritamente filosófica do programa, dos personagens, fazendo toda uma ligação com o contexto a que seguimos, pode ler o artigo "Big Brother prepara a sociedade de controle".
Escrito por Leon K. às 15h52
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DAS MULHERES
Parabéns às mulheres, essas figurinhas frágeis, ingênuas e dóceis que tanto sofreram nas mãos dos homens.
Não ignoremos este belo dia.
No dia da mulher, tenho o prazer de conhecer metade da turma de Turismo lá no Cefet.. ah, aquelas menininhas são as maiores expressões de beleza e perfeição que existe..
* * * * *
Só pra lemrbar a história, esse dia traz-nos à memória a manifestação das mulheres operárias de Nova York, em 8 de março de 1857, quando ocuparam uma fábrica em prol da campanha de redução da jornada, de 16 para 10 horas diárias. Elas acabaram sendo deliberadamente fechadas no recinto, onde se declarara que havia um incêndio. 130 mil mulheres morreram a mando do patrão.
 Mulheres e crianças na tecelagem: nenhum direito e repressão ao sexo frágil
De lá pra cá, o movimento feminista conquistou vários avanços, mesmo com a tentativa antiprogressista de barrá-lo, seja das burguesias nacionais e internacional, da Igreja, e mesmo da 'tradição', por se considerar algo natural, de que mulher não pode ser independente.
Escrito por Leon K. às 16h02
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APENAS MAIS UMA CONFIRMAÇÃO
O jogo de domingo entre Palmeiras e Santos foi uma das formas mais concretas tomada por aquele ditado: "quem não faz (o gol), leva".
O Santos, definitivamente o melhor clube do Brasil (embora não saiba aproveitar as qualidades), atacou durante todo o jogo, com passes espetaculares, belíssimas jogadas, velocidade, e postura de um time consideravelmente superior ao seu adversário. E o Santos realmente era. Nos vários momentos de perigo que levou conseguiu marcar um gol.
O Palmeiras sofreu durante todo o jogo pra não sofrer uma goleada histórica pr'o rival. Nos três ataques que fez, marcou três gols. E mostrou que o futebol, realmente, é imprevisível.
 Palmeiras 3x1 Santos: Marcos foi o mesmo o herói do jogo
BAILE DOS COADJUVANTES
Ainda sobre o futebol, dia desses o Globo Esporte exibiu uma série de fatosa inusitadíssimos que vêm acontecendo no Campeonato Paulista, e que remetem a outros tempos no nosso futebol, quando umas figuras portavam-se mais como palhaços do que como jogador de futebol (não que isso seja ruim; futebol é, acima de tudo, alegria).
O que fazer para ganhar notoriedade? Sair do anonimato? Nos estádios, criatividade e ousadia têm sido o segredo para poucos, mas inesquecíveis momentos de fama.
Doze pedaladas. Que pararam a bola, o juiz, a partida, e os jogadores. Foi o que fez o atacante Berg da Matonense, irritando o volante Gilmar do Noroeste, mas agradando ao chefe Israel de Jesus, mais famoso como pagodeiro do que como técnico.
Já o argentino Estevan Frontini, do Marília, fez o gol contra a Portuguesa Santista e correu pro abraço no primeiro que apareceu pela frente: um policial militar. "Eu já tinha visto ele lá no canto, tinha olhado pro Beto. Aí pensei em abraçar ele e o Beto vir por cima", conta Frontini.
Frontini não ficou famoso. E ainda recebeu a visita do comandante do batalhão. "Tomara que não vire moda. Senão complica a coisa para a segurança dos estádios", diz o comandante.
Entrar em campo com um peso nas costas. Da mão do presidente do Vitória de Pernambuco. O cartola mais temido da região. Isso mesmo: ele dá um tapão (não um tapinha - que não dói) nas costas de seus jogadores, jogo a jogo.
São gestos simples, por todo o Brasil. Mas que ajudam a entender este espetáculo chamado futebol.
Escrito por Leon K. às 19h41
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MELHORES MOMENTOS
Depois de dois anos de um inferno astral aparentemente sem fim, de insucessos em vários campos, problemas familiares, reprovações atrás de reprovações na escola e em cursos, eu não estou em paz com o mundo - estarei sempre em guerra com ele - mas posso dizer que hoje realmente as coisas esfriaram bastante.
Mas a virada foi também muito rápida. O ano começou péssimo. Péssimo mesmo. A primeira notícia, vergonhosíssima, foi que não consegui passar na porra do vestibular de Filosofia. Tirei zero na prova de Química. Zero. Pra que um filósofo tem de entender de termodinâmica, eletrólises, ligações químicas? "Somos só átomos e vácuo", dizia Demócrito.
Mas logo a seguir fiz o vestibular do Cefet, que oferece tantas oportunidades quanto, mas é infinitamente menos visado que o da UFRN. E, bem, eu realmente não esperava que apenas isso mudaria consideravelmente as coisas. O resultado foi excelente, fui 2° lugar no ranking geral, escolhi um curso, que, ao contrário de Filosofia, é muito melhor-visto, e minha mãe até pareceu orgulhosa (sempre parece quando fala de mim pr'as outras pessoas). De qualquer forma, a barra aliviou por aqui. Serviu como um pouco daquela coisa de "provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém".
Além do mais, soma-se a isso o fato de a qualidade de vida da gente ter-se aumentado consideravelmente, nos últimos tempos. A justiça tem andado (pelo menos no nosso caso), as manifestações têm dado retorno (minha mãe é servidora federal, clássicos reivindicadores de aumento salarial), e outros fatores têm contribuído para um rápido crescimento dos números no contracheque de minha mãe, que, na verdade, mal trabalha.
Como se não bastasse, até a sorte ajuda. Na primeira compra que fiz (uma reles sanduicheira) com um cartão de crédito, estive automaticamente concorrendo a um sorteio oferecido pelo cartão (ao qual não estava sabendo). E de quebra, pra fechar (fechar? Será?) com chave de ouro esta fase, eu ainda ganhei uma assinatura anual da revista Época e um tal dum relógio Mondaine. Eu não sei o que o relógio pode ter de mais especial e a Época nem é minha revista preferida, mas como qualquer cidadão moderno, sempre disposto a aceitar tudo, não seria eu que os recusaria.

Fosse a Veja (revista à qual não poupo críticas), poderia até pensar em dizer não praquela voz de sotaque paulista que me tendia a topar a oferta. O relógio, disse a senhorita, é no valor de 300 reais. Minha mãe, ostentadora contumaz de cifras 'até que gostou' daquilo. E não vê a hora de me ver usando-o. tsc tsc
Escrito por Leon K. às 13h20
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