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MEMÓRIA ESQUECIDA
Como bem vi no blog do Marcelo Tas, Renato Russo de fato faria aniversário dia desses. No último dia 27, ele completaria 45 anos.

E realmente - salvo os grupos mais ligados à banda, e fãs-clubes - não foi feita (eu não notei) nenhuma homenagem pública, muito menos na tv, a este fenômeno popular, da nossa música, influenciador e porta-voz de toda uma geração.
Como o próprio Tas afirma, é bom lembrar que Renato Russo, e a Legião Urbana, é um dos maiores vendedores de disco do Brasil. A Legião Urbana já vendeu bem mais de 15 milhões de discos nesses últimos 20 anos, acrescentando-se os discos-solo de Renato.
Uma leitora do Tas mandou-lhe um email lembrando toda a overdose de homenagens enviada a Ayrton Senna, por exemplo. Renato Russo não recebeu um décimo do que Senna recebe da mídia. Mês que vem (mês da morte de Senna) nós comprovaremos isso.
Vai ver estamos apenas obedecendo ao nosso "Rei do Rock": "quando eu for embora, não chore(m) por mim".
NÃO FALEI?
E, ao fim de tudo, realmente o viado do Jean ganhou o Big Brother, como ficou claro (foi a edição mais previsível de todas, do princípio ao fim) já na primeira semana a torcida da Globo.

Falo da torcida da Globo porque desde os primeiros dias já ficou claro como a emissora intervia-se diretamente na imagem que os participantes eram mostrados ao público em geral. Chegando mesmo a dividí-los no grupo dos Defensores e da Tropa de Choque.
E como já seria imaginável, a vitória de Jean serviu pra arrefecer um pouco do preconceito no País. Eu já tinha falado isso antes: o Jean ganharia o Big Brother, e o povo poderia dizer que, enfim, vivemos num País sem preconceitos. E a entidade 'Grupo Gay da Bahia' já afirmou isso, após a confirmada vitória do homossexual da casa: "uma das maiores vitórias do nosso século de lutas". E o próprio site do Mix Brasil chama a atenção que "agora a Globo é vista com outros olhos". Ou seja, a emissora de quebra ainda ganhou respeito do povo.
São espertos os caras que idealizam esse programa. Pouco espertos somos nós.

Toni Reis, presidente do Grupo Dignidade e Secretário Geral da ABGLT: "Ouso dizer que este momento se equipara ao momento em que o dia em que os negros deixaram de ser retratados como marginais ou escravos/empregados"
Escrito por Leon K. às 05h52
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NÃO DEU CERTO
Apesar de ter chegado à grande imprensa, aparentemente não teve êxito a ''Campanha Nacional contra a Farra no Congresso". O movimento circulou na internet convocando os brasileiros a vestirem roupas pretas ou pendurarem panos pretos em suas casas e carros nesta terça-feira (29), ''em luto pela morte da dignidade dos políticos''.
 Esse episódio foi um tapa na cara dos apolíticos
O movimento aparentemente tirava partido de circunstâncias favoráveis: um sentimento difuso contra "a política" e "os políticos"; e o reforço deste pelo noticiário negativo e até pejorativo que tem cercado o novo presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcanti (PP/PE), especialmente sua tentativa de viabilizar um aumento do salário dos deputados. A partir destas bases, a "Campanha" tratava de estimular um apoliticismo raso, indistinto, nos termos caricaturados por Bertolt Brecht no célebre poema "O analfabeto político" (veja abaixo).
O movimento porém, apesar do apelo fácil, não parece ter obtido adesão digna de nota da parte da opinião pública. Em parte, o fracasso pode ser tributado a ausência de uma estrutura capilarizada em segmentos sociais, capaz de fazer o trabalho de "amarração" que uma ação dessas reclama. Mas deve ter influído também a superficialidade do apoliticismo (ou antipoliticismo) que se pretendia explorar; mesmo difuso, esse sentimento primário e atrasado tem limites que não resistem a um mínimo de aprofundamento.
"O analfabeto" de Brecht
Bertolt Brecht (1898-1956), considerado o maior teatrólogo do século passado, foi também um poeta de renome — e, comunista que era, muito ligado aos movimentos dos trabalhadores. No Brasil, sua obra mais conhecida, que circula espontaneamente até hoje nos movimentos sociais, é, de longe, "O analfabeto político". Veja como ele responde, por antecipação, aos idealizadores da ''Campanha Nacional contra a Farra no Congresso":
O pior analfabeto É o analfabeto político, Ele não ouve, não fala, Nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo da vida, O preço do feijão, do peixe, da farinha, Do aluguel, do sapato e do remédio Dependem das decisões políticas.
O analfabeto político É tão burro que se orgulha E estufa o peito dizendo Que odeia a política.
Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política Nasce a prostituta, o menor abandonado, E o pior de todos os bandidos, Que é o político vigarista, Pilantra, corrupto e lacaio Das empresas nacionais e multinacionais.
Escrito por Leon K. às 16h48
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Nas grandes cidades,
no pequeno dia-a-dia,
O medo nos leva tudo
(sobretudo `a fantasia)
Então erguemos muros
que nos dão a garantia
de que morreremos cheios
de uma vida tão vazia
Nas grandes cidades
de um país tão violento
Os muros e as grades
nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo
quase sempre é quase nada
E nada nos protege
de uma vida sem sentido
Um dia super, uma noite super
(uma vida superficial)
Entre as sombras ,
entre as sobras da nossa escassez
Entre cobras,
entre escombros da nossa solidez
Nas grandes cidades
de um país tão irreal
Os muros e as grades
nos protegem de nosso próprio mal
Levamos uma vida
que não nos leva a nada
Levamos muito tempo
pra descobrir que não é por aí...
não é por nada não...
não, não pode ser...
é claro que não é, será?
Meninos de rua,
delírios de ruínas
Violência nua e crua,
verdade clandestina
Delírios de ruína,
delitos e delícias
A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo,
medo de brincar
Em anúncios luminosos,
lâminas de barbear
Viver assim é um absurdo
(como outro qualquer)
Como tentar o suicídio
ou amar uma mulher
Viver assim é um absurdo
como outro qualquer
Como lutar pelo poder
Lutar como puder...
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