O Elogio Ao ÓCIO - Um blog sobre tudo e sobre nada


 

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     Há alguns anos, lembro bem, a revista de futebol Placar fez uma pesquisa na qual levantava os times, os dirigentes e os jogadores mais odiados do País. Questionado profissionais do esporte e a leitores, a revista apontava o Corinthians como o time de futebol mais odiado (pelos seus não-torcedores, claro).

     A revista fez uma ressalva importante: na época (2000) ojogador mais odiado foi Marcelinho Carioca, na melhor fase de sua carreira, e o dirigente mais odiado foi Eurico Miranda, quando ainda ostentava influência, no Vasco - que, naqueles tempos não muito remotos, era um time temido. Qualquer observador nato concorda: os melhores, ou pelo menos aqueles que era eficientes (e conseqüentemente vitoriosos) no seu trabalho, eram os mais odiados pelos outros. A matéria lembrou que grandes times da história do futebol brasileiro, como o Flamengo de Zico, que atropelava qualquer adversário, ou como o São Paulo do início dos anos 90, que conseguiu ser bicampeão mundial, também eram bastante odiados, cada um a seu tempo.

     O fato é que, seja no Brasil ou não, um dos maiores vícios modernos (modernos...?) é a inveja, sobre o serviço bem-feito do outro. O futebol é só um exemplo disso. A mim, particularmente, irritou bastante assistir ao último jogo do Corinthians, neste domingo, contra a fraca Portuguesa. Os comentaristas da TV Record eram cruéis quando se referiam ao time corintiano, e altamente críticos quando observavam a atuação do árbitro - que segundo ele, estava ajudando o Corinthians (assim como outros, também segundo os mesmos comentaristas, ajudaram o São Paulo - sendo o Tricolor, por isso, campeão). Existe um sentimento idiota de moralismo que toma conta das pessoas, especialmente no ramo de comentaristas (seja lá qual for o assunto) ou mesmo de pessoas comuns. Esse sentimento besta concretiza-se em um olhar muito nefasto a personalidades (sejam outras pessoas ou não) que estão por cima. Lembro-me bem de que quando Paulo Coelho foi eleito imortal na Academia Brasileira de Letras, não foram poucas as críticas que recaíram sobre o mago.

    Está em todos os lugares pra quem quiser ver. Especialmente quando se trata de fama. Michael Jackson nada mais é que vítima dos que estavam abusados de ouvir suas músicas nos distantes anos 70 e 80. Maradona, maior ídolo do futebol na era pós-Pelé, hoje é ridicularizado pelos seus problemas, típico humor negro. O presidente Lula é alvo preferencial da crítica política, seu governo também. Michael Schumacher ganha tudo na F1 desde os anos 90, mas "Senna ainda é melhor". Titãs lançam ótimos discos, com o mais puro e qualitativo rock brazuca e vendem centenas de milhares de discos, mas "não são como antes".

     Críticas irracionais. Talvez inveja seja uma palavra forte, mas é um sentimento de desconforto que surge quando se observa o sucesso do outro. E quando não há uma análise realmente crítica deste sucesso. É algo que contagia. O Casseta & Planeta até hoje faz sucesso chacoalhando figuras conhecidas, estejam em voga ou não. Besteira. Ou, parafraseando Nelson Rodrigues, que disse que "toda unanimidade é burra", toda unanimidade é fresca, também.

 



Escrito por Leon K. às 16h01
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Nas grandes cidades
de um país tão violento
Os muros e as grades
nos protegem de quase tudo

Mas o quase tudo
quase sempre é quase nada
E nada nos protege
de uma vida sem sentido

Um dia super, uma noite super
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Entre as sombras ,
entre as sobras da nossa escassez
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entre escombros da nossa solidez

Nas grandes cidades
de um país tão irreal
Os muros e as grades
nos protegem de nosso próprio mal

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