O Elogio Ao ÓCIO - Um blog sobre tudo e sobre nada


 

     ATENÇÕES DISTORCIDAS

     O maior festival de música independente do Rio Grande do Norte, espaço privilegiado deste cenário no País, o Mada - Música Alimento da Alma, já perdeu muito da romantização de um festival cultural alternativo. O Mada caiu na moda, é verdade. Interessa-se pelo evento, quem quer ver os artistas principais, não as bandas que estão fora do mainstream.

     Já tá soa distante a primeira vez que fui ao Mada, em 2002, a um show do Ira!, na época do celebradíssimo disco Entre Seus Rins. Era tudo diferente. Desde o local, quando foi realizado na conhecida Rua Chile, no mais elegante pero mais esquecido bairro da cidade, até o tratamento que a produção do evento e o público dava ao festival. Hoje, pouco tempo passou, mas o Mada já não é mais Mada (Agora é TIM MADA), e as bandas alternativas, razões da festa, agora são meras coadjuvantes.

     Do primeiro dia do 7º Mada, 26 de junho, no entanto, pôde-se tirar boa diversão. Das 8 bandas independentes, bastante irreverência e originalidade, partindo de bandas como a carioca The Feitos - que, primeira banda a tocar, apresentou-se pra apenas cerca de cem pessoas -,  os Playboys, que distribuíam "dinheiro", e utilizavam de seu figurino inusitado, e Kohbaia, com sua performance espetacular, e seu vocalista frenético (que se apresentou com uma sainha bem curtinha). Romantismo bonito com os caras do Nervoso e músicas folcloricamente rockers com a banda Folcore. Jane Fonda, um dos grupos que eu mais queria ver, foi uma decepção, é verdade. Depois de uns anos com músicas viris e mensagens claras, caiu numa melosidade "chula", som fraco, comportamento clicherizado no palco. Mas depois de todo o espetáculo que foram as atrações alternativas, ainda havia Barão Vermelho e Camisa de Vênus, pra fechar em alto estilo. Grandioso evento.

Cabugi.com
Frejat e Barão Vermelho, ponto mais alto da noite

     Sem contar que nem foi muita gente. A mercantilização do Mada, que transformou as bandas independentes em coadjuvantes e as convidadas em "atrações" levou a isso: Barão vermelho, fora de cena, e Camisa de Vênus, há vinte anos longe do show bizz, já seria mais que suficiente pra garantir a festa (como garantiram), mas não chamaram a atenção do público em geral. Bom pra quem foi, e ficou bem à vontade. Segundo os números, 4000 pessoas estavam presentes.

     O Mada ainda trará, nos dias subseqüentes, além de 15 bandas independentes (dentre elas Seu Zé, Rádio de Outono, Astronautas e Ladrões de Bicicleta), as bandas Planet Hemp (em formação original especialmente pro evento), Mundo Livre S.A., Paralamas do Sucesso e Plebe Rude.

 



Escrito por Leon K. às 22h08
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     AO FUTEBOL E AO RIO GRANDE DO NORTE 
 
     Futebol, o futebol é uma arte. Num país antidemocrático, cheio de culturas, cheio de antagonismos, o futebol é algo une a todos. Não, não é clichê falar disso. Nem é hipocrisia tratar o futebol como o elo de ligação entre a sociedade plural do nosso país (e mesmo as estrangeiras). O futebol é o último reduto de alegria para aqueles que perderam a perspectiva, aqueles que vivem uma vida que não os leva a nada. O futebol é o ópio do povo, sim. Mas, antes essa forma de desilusão a uma sociedade ainda mais posta ao individualismo, ao pragmastismo, à apatia.
 

Futebol, motor de paixões, razão de vida de muitos
 
     O futebol do Rio Grande do Norte está em festa. O maior duelo do estado, um dos clássicos mais antigos do Brasil, ABC x América hão de se enfrentar mais uma vez em campeonatos estaduais, como em outras dezenas de edições, mas que há alguns anos estava de fora do concretismo. A última final entre ambos foi em 1999.
 
     Naquela época, final século XX, ABC e América estavam em plena ascenção. Em meados dos anos 90, ABC adquirira uma vaga na 2ª divisão do futebol brasileiro, e o América, em 1997, voltava, depois que 13 anos, à elite do futebol nacional. Durante dois anos, os potiguares puderam ver a exibição de grandes times do País, que vinham enfrentar o América. Enquanto isso, o ABC mantinha sua escalada à série A, sempre morrendo na praia. Depois da crise que o América viveu nos anos 98/99, o time conseguiu manter uma boa base pro ano 2000, histórico pro futebol potiguar. Nesse ano, ABC e América se colocariam entre os maiores times do País após grandes exibições na Copa do Brasil. O ABC contava com nada menos com o maior elenco de sua história, dominando o campeonato estadual há quatro anos e só caindo na Copa diante do Palmeiras. O América caiu diante do S. Paulo. Foi o último grande momento do futebol do RN. Depois disso, as duas equipes desceram a ladeira.
 
 VS.
E o estado voltará a ter seu mais tradicional duelo em espetáculo.
 
     Nos anos de 2001 ao atual, os dois grandes só foram acumulando insucessos. Nos campeonatos estaduais, destacavam-se times como São Gonçalo, Potiguar e Baraúnas, da cidade de Mossoró, e o Coríntians de Caicó (que, em 2001, se atreveu a quebrar décadas de hegemonia dos clubes da capital e foi campeão, sendo até reverenciado pela revista nacional Placar). E este ano, quebrando a desinteressante tradição que reinava nesses últimos tempos, os dois grandes do estado voltam a decidir o torneio.
 
     É daqui a pouco, o 1º jogo. Que vença o (ABC) melhor.
 
 


Escrito por Leon K. às 15h44
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Nas grandes cidades,
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O medo nos leva tudo
(sobretudo `a fantasia)

Então erguemos muros
que nos dão a garantia
de que morreremos cheios
de uma vida tão vazia

Nas grandes cidades
de um país tão violento
Os muros e as grades
nos protegem de quase tudo

Mas o quase tudo
quase sempre é quase nada
E nada nos protege
de uma vida sem sentido

Um dia super, uma noite super
(uma vida superficial)
Entre as sombras ,
entre as sobras da nossa escassez
Entre cobras,
entre escombros da nossa solidez

Nas grandes cidades
de um país tão irreal
Os muros e as grades
nos protegem de nosso próprio mal

Levamos uma vida
que não nos leva a nada
Levamos muito tempo
pra descobrir que não é por aí...
não é por nada não...
não, não pode ser...
é claro que não é, será?

Meninos de rua,
delírios de ruínas
Violência nua e crua,
verdade clandestina
Delírios de ruína,
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A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo,
medo de brincar
Em anúncios luminosos,
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Viver assim é um absurdo
(como outro qualquer)
Como tentar o suicídio
ou amar uma mulher

Viver assim é um absurdo
como outro qualquer
Como lutar pelo poder
Lutar como puder...