SINASEFE: O SUPRASUMO DA INGENUIDADE
Sim, sim. E tá mais uma vez em discussão no CEFET RN (pela quinta vez no meu quinto ano na Instituição) a possibilidade de abertura de um período de greve dos servidores públicos federais, desta (enésima) vez pela Campanha Salarial, em repúdio à proposta de aumento do governo de 0,1% (numa avaliação espontaneísta, sobretudo a minha, como filho de servidora federal - "ridícula") e encampando a luta por um reajuste de 17% para a categoria da área de educação.
 SINASEFE - Sindicato Nacional dos Servidores Federais
Na fase moderna do capitalismo, a greve é a maior forma de luta que os trabalhadores podem ter. Uma greve geral tem força suficiente pra derrubar um governo, dependendo da conjuntura. Esse modelo de luta só fica abaixo da própria insurreição como forma de reformar instituições. O que ocorre, é que entre os servidores da minha escola, especificamente, não compreendem todo o jogo político que tá envolvido: eles só querem uma greve, querem meter o pau no Lula, e querem ganhar dinheiro.
Tá viva na minha cabeça a greve de 2001, que durou mais de 100 dias, e na volta às aulas, não só os professores não tiveram reajuste algum, como nós tivemos que repor tudo o que foi perdido: horários aumentados, aulas nos sábados e ano letivo terminando em março do ano cronológico seguinte. O nosso calendário escolar hoje ainda é um monstrengo graças àquela mobilização. Ah, sem falar no caso célebre de um professor que, na greve do ano anterior, foi curtir um Cruzeiro em algumas Ilhas Gregas.
 Paraíso grego: bom refúgio pra quem não gosta da "correria" da greve
Não compreendem os professores, que naquela época, tínhamos no governo o FHC, expressão mais nefasta dos interesses elitistas no nosso País, desqualificador do ensino público brasileiro. Hoje temos um presidente operário, um partido de esquerda no poder, sindicalistas em postos importantes. Mas é ingenuidade considerar que esse governo é um governo do povo. Quem não compreende as dualidades por que passa o Lula, não pode falar mal dele: de um lado seu próprio partido vive dividido. De outro, precisa buscar apoio de partidos patronais (PTB, PL, PMDB, PP) para poder ter vitórias mínimas no Congresso. São compromissos que o governo Lula não acorda: é obrigado pelos fatos a aceitá-la. No entanto, o nosso sindicato (SINASEFE) é, sim, muito ingênuo pra compreender as contradições de nosso tempo.
Foi aprovado na assembléia que ocorreu ontem, uma paralisação para esta quinta-feira (hoje), a fim de dar força ao movimento antes da greve. E as mobilizações políticas? Vão acontecer: o representante do Sindicato alardeou no microfone em alto e boníssimo som que educação e previdência estariam juntos na Casa da Dinda, boteco no Centro da Cidade onde haveria uma feijoada. Ó, essas crianças buscadoras da NeoRevolução Petista-Radical! Eles saúdam a Heloísa Helena, e chamam o Lula de fracassado. Estamos perdidos? Estaríamos perdidos, nas mãos destas figuras. Mas não são eles quem dirigirão o Brasil: pelo contrário, estão condenados a virarem dinossauros no embate político que o País há de viver.
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Marcas de um governo fracassado (não sairei de minha escola)
Em 2003, o orçamento federal, elaborado por FHC, previa 1,3 milhão de reais para o CEFET-RN, 300 mil a menos que o orçamento de 2002. Lula, em sua primeira medida em favor do ensino técnico, quase triplicou o orçamento (R$ 3,2 milhões) para o tal CEFET. No ano seguinte, ainda aumentaria mais um milhão. Palavra de Sérgio França, então diretor-geral do CEFET do RN para o então tesoureiro do Grêmio Estudantil, eu .
 CEFET RN: qualidade de ensino mantida não só pelas lutas sindicais e estudantis, mas pela benevolência de um governo democrático-popular
Claro, não nos refiramos à abertura de novos concursos, à construção de uma moderna (tudo bem, pelo menos decente) biblioteca escolar, à cesão de novos computadores, novos materiais, novos incentivos, requalificação do ensino técnico e liberdade de gestão democrática para as instituições federais. E não nos refiramos também ao aumento de 37% aos servidores ano passado, quando eles solicitavam 15%. Eles têm uma memória muito curta. Além de péssimos analistas políticos, ainda são mal-agradecidos. Requisitos nada bom pra educadores.
Escrito por Leon K. às 04h24
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