COM SABOR DE NOVIDADE
Enfim! Enfim! Enfim algo diferente! Chamem da forma que quiser, desde antipatriotismo até indecisão-feminina-por-time-de-futebol, mas enfim o Brasil perdeu para a Argentina!
Não se trata aqui, naturalmente, de mais uma dessas declarações Mainardianas de dizer que o Brasil não presta, mesmo. Trata de reverenciar um grande bem que o futebol, como principal meio de entretenimento esportivo, pode nos trazer que é o prazer de assistir a um espetáculo, a um show de bola, sobre cujo palco estão definitivamente as duas maiores seleções do mundo.
 Brasil, futebol pentacampeão, sem adversários - e sem emoção
Esse bem a que me refiro vai além dos interesses "nacionais", se é que há interesses realmente nacionais na Seleção Brasileira pós-Médici. O que digo é que assistir a um clássico como Brasil x Argentina torcendo pra qualquer um dos dois times é perder a chance de acompanhar um grande jogo de forma neutra, que permite observar melhor, os dois. Mas minha crítica não é o fato de não torcer pelo Brasil. O problema é que desde 2001 o Brasil não perdia pra Argentina. A meu ver, isso era uma grande injustiça que um embate desse porte tivesse um freguês. Assistir a jogos entre ambas as seleções estava-se tornando, já, algo extremamente entediante. Bastante chato. O Brasil ganhava sempre. Um clássico desses não merecia isso. A vitória da Argentina deu um toque a mais. Eu gostei da novidade.
Eu nunca simpatizei com a seleção brasileira, na verdade. Aliás, outra verdade, nunca expressei muito brasileirismo quando se trata de futebol. Em qualquer outro esporte, tudo bem. No futebol, é algo universal demais, já. Os melhores campeonatos do mundo são o Inglês e o Espanhol, mas o Brasil é a melhor seleção. Única a disputar todas as Copas. Única a vencer cinco delas. Superioridade que incomoda. Ao menos a mim. Em 1994 vi o Brasil ser campeão, em 1998 vice, em 2002 campeão de novo. Em nenhum desses, gritei pela seleção, porque não tem mais graça, você já sabe o resultado. É um pouco como o basketball dream team americano. Na última Copa, torci para os alemães na final. Eles eram tri, se ganhassem empatavam conosco. A disputa seria bonita, já que estes são de fato, os dos países com maior história de conquista. A corrida pelo penta pegaria fogo, e aí sim, a Copa de 2006 teria o que mostrar. Agora não... a Copa já tem praticamente seu campeão: o Brasil, mais provável, ou, se muito, a própria Alemanha, que vai jogar em casa.
 Crespo comemora, Adriano observa: dessa vez a Argentina levou a melhor.
De qualquer forma, esta derrota do Brasil em Buenos Aires serviu para diminuir um pouco da arrogância brasileira. Ultimamente são os argentinos, tradicionais provocadores, os provocados. Com razão, é verdade, já que sempre são surrados. Mas uma vitória de vez em quando é bom. E eles experimentaram este gosto pela primeira vez em quatro anos. E eu, aqui, enfim assisti e gostei de um jogo do Brasil.
Escrito por Leon K. às 04h00
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