ESPETÁCULO PRA NINGUÉM
Basta imaginar. Um filme é bem investido. Não precisa ser uma superprodução. Apenas a produção de um filme, que, pelo menos em roteiro, tem tudo pra dar certo. Só depende dos atores.
 Onde já se viu público não-bem-vindo?
Feito tudo, desde a pré-produção, a escolha dos atores, a gravação, as edições finais, dados os devidos créditos, lança-se o filme. No entanto, os ingressos, não são vendidos. Os cinemas em que o filme será exibido estará de portas fechadas. Por alguma razão, o público está perminantemente proibido de assistir ao filme (não, o filme não contém cenas fortes de sexo, violência, ou nada disso). Peculiar, não? Aliás, peculiar não - incompreensível.
Esquisito, não? Mas é o que a justiça está propondo agora como forma de punição. Depois da partida em que perdeu por 5x1 para o São Paulo, o Corinthians, por culpa de alguns torcedores que invadiram o gramado e perturbaram a segurança do jogo, precisou ser julgado, e além de pagar uma multa, recebeu como punição a determinação de jogar duas partidas de portões fechados, simplesmente. Essa punição também se estende a outros clubes com problemas parecidos. É, na sua síntese, a mais irracional forma de punição, que atinge não só ao clube julgado, mas ao próprio fim do futebol que é promover o entretenimento social e o lazer. O futebol, hoje, é um produto, e o torcedor é um consumidor, isso não se discute. Determinar que uma partida seja realizada a portões fechados, sem a absoluta presença de nenhum torcedor foi definitivamente a pior forma que a justiça desportiva encontrou de punir um clube - foi punindo ao bem que a mantém viva - o próprio esporte.
E pela irracionalidade de um punhado de senhores ignorantes da importância do esporte como lazer para a família brasileira, o duelo entre os clubes de maior torcida do País, Flamengo x Corinthians, ficará restrito à visão de um grupelho pequeno de jornalistas, e só servirá de barganha para as endinheiradas redes de televisão que detém os direitos de transmissão - há muito tempo elas sonham em monopolizar grandes partidas. E encontram um meio estratégico pra isso. E o futebol, como cultura brasileira, tava demorando pra ser dessa forma atacado.
DE VOLTA À FARRA
E o presidente do PTB Roberto Jefferson segue fazendo denúncias (sem provas) e escancarando corrupção na boca do povo. Enquanto de um lado, o governo agiliza sindicâncias, Ministério Público e Polícia Federal pra investigar o escândalo do mensalão, segue com a popularidade por um fio, estando o PT, mito político brasileiro, no fio da navalha.

Sobre investigação de corrupção, claro, não se discute. Agora, o Jefferson fazer denúncias de todo tipo e na maior sem-cerimônia dizer que não tem provas, é cruel. Denúncias sem provas são vazias de crédito, e seu ônus cabe ao acusador. Em qualquer país desenvolvido, um acusador que não justifica o que diz vai à cadeia. E o Roberto Jefferson tá longe de ter credibilidade para fazer denúncias infundadas.
Ou o Governo demonstra firmeza e agiliza punições aos envolvidos no escândalo, ou a tão-falada democracia brasileira nada mais tem de consolidada que o oba-oba.
Pão e circo para o povo, depois dos escândalos.
Escrito por Leon K. às 06h05
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|