O Elogio Ao ÓCIO - Um blog sobre tudo e sobre nada


 
 
     RESPOSTA PRÉ-DEFINIDA
 
     Dia desses, estava eu, quase prestes a desconectar para dormir - algo para o qual faço uma verdadeira cerimônia -, já com um sono forte batendo a cabeça, quando vi algo sobre cola. Não me refiro aqui ao produto, e sim à prática, à arte de colar - de barganhar respostas antes de fazer algum exame.
 
 
     Daí fui rechear de inutilidades meus últimos momentos conectado, vendo alguns casos de pessoas narrando suas colas, aquelas históricas, que realmente salvam vidas. Bateram-me algumas lembranças, e a consciência, mais do que nítida, de como a cola e seus derivados foi importante na minha vida - mais do que importante; foi algo presente durante toda minha história escolar.
 
     Nos meus primeiros anos como estudante, eu não precisava de cola, é verdade. Ninguém precisa. Além do mais, eu era um menino muito estudioso. Alguém lembra daquela propaganda do governo em que um menino dizia meu melhor amigo é o livro? Pois bem, conta a minha avó, que eu já dizia isso com cinco anos. A minha única forma de buscar vantagens, lembro bem, era ainda na fase do maternal, quando a professora mandava escrever de 1 a 100 - e eu pulava alguns números. Mas aí era só pra terminar as prova mais cedo.
 
     Meus primeiros quinze anos de vida, sempre foram dedicados ao estudo. Mais do que - raramente - pedir cola, eu as cedia pra turma. Quando cheguei no ensino médio, uma escola diferente, pessoas diferentes, cabeça diferente, eu comecei a caminhar de forma diferente também. E não passaria naquele ano em Química e em Matemática não fosse uma cola na prova final - sem falar nas bimestrais. No ano seguinte, práticas antigas não se repetiam, como trocar provas, mas eu conseguia bons dividendos. Hoje mal conheço a tabela periódica, mas em pleno 3o ano, o professor de Química considerava-me o melhor do meu grupinho de amigos - enquanto eu era o último a receber a cola -, porque nós tirávamos 10,0. Aos meus amigos, que me passavam a resposta, o professor olhava desconfiado.
 
Num bilhete, a solução dos problemas
 
     Quando fui reprovado, no meu último ano como secundarista, a coisa pegou. Tive de entrar em turma nova, onde todos estudavam e ninguém colava. Não deu outra: fui reprovado de novo. Mas aí eu já era presidente do Grêmio e tinha contato direto com os gerentes, o que facilitou minha aprovação. No meu curso técnico de Geologia, não deu certo: colei durante um ano e meio, mas acabei sendo reprovado nos três semestres que cursei. Mesmo assim, mantive a prática. No último vestibular, colei mais de uma dezena de questões, e ainda passei em 2o lugar no ranking geral.
 
     Hoje sou um colador inveterado. Detesto assistir às aulas chatas de Desenvolvimento de Software - detesto fazer qualquer outra coisa no computador que não seja dar uma boa navegada. Freqüento pouco às aulas, mas meu boletim é o melhor que apresento desde 2002. Devo ou não estar feliz?
 
     Daqui a duas semanas haverá o concurso do TRE. Se eu passar nesse negócio, minhas perspectivas param por aí. Ganhando 2500 por mês e morando sozinho, não quero mais nada. E mais do que nunca, eu preciso duns pontos extras.
 
 
 


Escrito por Leon K. às 21h55
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Nas grandes cidades
de um país tão violento
Os muros e as grades
nos protegem de quase tudo

Mas o quase tudo
quase sempre é quase nada
E nada nos protege
de uma vida sem sentido

Um dia super, uma noite super
(uma vida superficial)
Entre as sombras ,
entre as sobras da nossa escassez
Entre cobras,
entre escombros da nossa solidez

Nas grandes cidades
de um país tão irreal
Os muros e as grades
nos protegem de nosso próprio mal

Levamos uma vida
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