O Elogio Ao ÓCIO - Um blog sobre tudo e sobre nada


     INTELECTUALIDADE PRÉ-ADOLESCENTE

     É, e nessa madrugada apareço ali num canal de Filosofia procurando um bom debate. Quando noto alguém de um nick estranho convidado qualquer tal pra discutir filosofia no MSN, e claro, me proponho ao serviço. Só quando a gente chega no Messenger é que vejo que se trata de um menino de 11 anos, ainda a cursar a 5ª série. humrum...


É, encontrar geniozinhos como o Franjinha não é tão raro

     Mas eu não vejo problema nisso, e sempre carrego mais do que mera boa-vontade quando teclo com crianças. Mas o garoto era inteligente. Ele já havia lido um pouco de Zaratustra, e de Platão. Lembrei que quando eu tinha 11 anos, meu autor preferido era Shakespeare. E falei de como as coisas complicaram depois que descobri a filosofia, quando você lê coisas que o ajudam a abrir a cabeça e compreender que se está aqui pra nada, por vezes. Eu não gosto de conversar isso com gente assim, nova. Acho que por isso não penso em ter filhos.

     Eu com 11 anos não lia filosofia. Só estudava pro que o professor mandava. Foi quando mudei a escola pela primeira vez, foi ruim. Mas quatro anos depois, eu concluía o fundamental congratulado como o melhor aluno da escola. E o que ganhava de prêmio? Uma caneta. O meu camaradinha não deixou de fazer um comentário sobre isso: "aos bons do esporte, dão os troféus mais maravilhosos; aos bons no conhecimento, dão uma canetinha."

     Enfim. Uma boa conversa sempre vale a pena. E o menino ainda contou como leu Nietzsche e ficou ateu, "só por uns dois meses". Travamos boa conversa, sobre filosofia da linguagem, religião e física clássica. Queria ter sido assim aos 11 anos. Lembro que só aos 15 me dei conta de que tava fazendo tudo errado.


Nietzsche: fascínio e dilema para qualquer cabeça, qualquer idade

     Mas é isso aê. Sorte a dele, tão à frente de seu tempo. E eu vou tentando acompanhar, pra aprender e evoluir com quem menos se espera.


     NA BASE DO 'PORQUE'

     É verdade que tá havendo aí toda uma difusão da "cultura do arrependimento". É quase uma unanimidade que o governo Lula foi eleito pra uma coisa e tá fazendo outra (inclusive roubando). Mas a gente tem que abrir os olhos pros discursos fáceis.

     Hoje os partidos perderam seus programas. Todos tentam ganhar espaço em cima de quem faz a maior crítica ao governo Lula. Mas, quanta palhaçada! Ficam a rosnar e culpar o próprio Lula. A histérica Heloísa Helena brada que recebeu ameaças de morte, e que "alguém no governo a quer fora de cena". O Arthur Virgílio, notável representante dos patrões vomita na maior sem-cerimônia: "ou o Lula é idiota [por ter cooperado com a corrupção] ou é incompetente [por não combatê-la].


Lula: corrupto "porque tem que ser"

     Mas quanta merda! Acusam o Lula não baseando-se em evidências, mas sim no fato de que o presidente, por ser o presidente tinha que saber dos escândalos de corrupção. Mas ora, ora. O que é corrupção senão uma negociação feita por baixo do pano, às espreitas? Se fosse de conhecimento de todos, não seria corrupção!

     É bom tomar cuidado com as referências, principalmente quando se têm figuras tão (aparentemente) opostas como Heloísa Helena e ACM Neto falando a mesma língua...

 


     TERRORISMO DE ESTADO TUPINIQUIM

     E enquanto o povo chora e protesta a morte do brasileiro fuzilado pela polícia britânica, vítima de um Estado Policial em luta ferrenha contra o terrorismo, o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (eleito no 1º turno ano passado) defende (em tom de campanha presidencial - ele é pré-candidato do PFL para 2006) que seja colocado o Exercito Brasileiro nas ruas pra combater o tráfico na cidade. E o povo concorda!

      Será que ninguém vê que se trata do mesmo filme, aqui e lá do outro lado do Atlântico?!

 



Escrito por Leon K. às 05h02
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Nas grandes cidades,
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O medo nos leva tudo
(sobretudo `a fantasia)

Então erguemos muros
que nos dão a garantia
de que morreremos cheios
de uma vida tão vazia

Nas grandes cidades
de um país tão violento
Os muros e as grades
nos protegem de quase tudo

Mas o quase tudo
quase sempre é quase nada
E nada nos protege
de uma vida sem sentido

Um dia super, uma noite super
(uma vida superficial)
Entre as sombras ,
entre as sobras da nossa escassez
Entre cobras,
entre escombros da nossa solidez

Nas grandes cidades
de um país tão irreal
Os muros e as grades
nos protegem de nosso próprio mal

Levamos uma vida
que não nos leva a nada
Levamos muito tempo
pra descobrir que não é por aí...
não é por nada não...
não, não pode ser...
é claro que não é, será?

Meninos de rua,
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Violência nua e crua,
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