O Elogio Ao ÓCIO - Um blog sobre tudo e sobre nada


      ATITUDE ARRISCADA, FUTURO PERIGOSO

     Bem. Desde 2001, quando entrei no CEFET, deparei-me com uma classe de professores cujo Sindicato sempre foi politicamente ativo. Sempre foi uma oposição forte a FHC. E naquelas oportunidades, greves eram algo bem freqüente na Instituição.

     De lá pra cá, quatro anos, quatro greves.. nem a eleição de Lula aliviou a sanha de oposição que eles detém, com sua pequena visão política de petistas radicais que são (é uma crítica ao programa), e seguiram enfraquecendo o governo que eles próprios ajudaram a construir.

     Eu me posicionei - e comigo o movimento estudantil - contra a greve. É triste ver as pessoas derrubando o próprio governo que construíram. E me preocupa o que vem depois se o Governo Lula "fracassar". Não vai ser outra liderança salvadora. Não. Estarão de volta os elitistas, agora sem a ameaça de Lula, dispostos a privatizar o resto do País, apertar a forca pro lado do trabalhador, acabar com direitos históricos. Cometemos um grande erro.

Lula: alvejado pelos seus próprios eleitores

     Já fiz a crítica ao Sindicato, há uns meses (post 02 de junho - Sinasefe, o Suprasumo da Ingenuidade) e não preciso repetí-la. Eles aprovaram hoje uma greve por tempo indeterminado. Estou no Comando de Greve, e devemos organizar várias manifestações. Se eles insistirem na oposição, eu saio. É muito complicado, cansativo, angustiante, sabem...

 



      INJUSTIÇADO PELA PRÓPRIA IMAGEM

     Já ouviram falar no Jorge Vercilo? Pois e, eu não o suportava. Quando o vi por acaso na televisão pela primeira vez, alardeado como compositor de varias canções conhecidas, gravadas nas vozes mais showbizz da época, eu pensei que ele devia ter continuado escrevendo. Era melhor. Nem a voz eu suportava ouvir, muito menos vê-lo pulando e batendo palmas junto com uma “plateiada” feminina bem sorridente.

     Mas a gente entende coisas assim, típicas de alguém “tolerância zero”, cheio de frescuras como eu. Mesmo assim, nunca me dispus a ouvir e conhecer o Jorge Vercilo.


Outro lado da mesma história

     Pois dia desses, eu estava a assistir a TV Cultura, e vi a chamada pra um programa muito interessante de entrevista chamado Ensaio, e por alguma razão achei que poderia ser proveitoso acompanhar.
Eu já nem lembrava mais do programa, e quando pulava de uma emissora a outra, eu acabei caindo de pára-quedas na TV Cultura, justamente na hora do referido programa. E, num ambiente bem intimista, foi extremamente diligente vê-lo contar historias, sobre sua vida como musico ainda não-famoso, falar sobre sua vida pessoal, curiosidades acerca de algumas musicas e letras. E ainda foi ate contemplativo assistir a exibição de sua banda, tocando algumas musicas já muito tocadas nas rádios – e que eu nem havia me dado conta.

     E o fato mais curioso foi quando minha mãe passou na sala e viu o cara cantando, lá. Sempre afeita a comentários negativos, disse: “que cara mais morgado, devagar”. E foi quando me dei conta de que não era com o Vercilo que eu antipatizava. Era com todo o ambiente e a forma como era mostrada sua carreira. O mainstream acaba com o artista...

 




     Eis uma explanação interessante, feita por Eduardo Cabral, numa comunidade de discussões no orkut da qual faço parte (Filosofia e Psicanálise), e à qual eu também assino embaixo:

MODERNIDADE

Atrás de todo artificio das grandes cidades, galgando entre devaneios tolos e irrealizáveis,
acreditando numa realidade que não existe.
Produto de uma mídia inescrupulosa desvirtuosa e ambiciosa.
Perdido entre ideologias contraditórias, sentimentos artificiais.
Vivendo com medo e todo o tipo de preocupação.
Pessoas que fazem da vida quotidiana um verdadeiro palco de teatro.
Pessoas com sentimentos freqüentes de
frustração, impaciência, raiva, ira depravamento, imediatismo, solidão, ciúmes e inveja.
Eis o produto final da sociedade moderna




Escrito por Leon K. às 12h54
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     COMO SE FOSSE PASSADO

     Ontem foi aniversario do meu primo, de 14 anos. Fiquei meio nostálgico enquanto estava lá, lembrando de quando eu mesmo tinha essa idade. Era uma fase nova, na minha vida. Foi com 14 anos, se me lembro bem, que aconteceram grandes mudanças na minha vida particular. Desde o “estupro” a minha prima, ate a fundação de uma banda de rock, chamada Cavalo Amarelo, e a minha ida ao Partido Comunista, solicitando minha filiação (recusada).

     Essa era a fase mais complicada da minha vida. Ao meu desprezo por muitas coisas banais, coisa que sempre carreguei num âmago pouco invejável que eu tenho, somava-se a inexperiência de um moleque ainda se acomodando a complicada vida de adolescente. Uma crise de cunho existencial, iniciada ainda aos 13, que se compunha de literatura muito niilista, musica muito fora de regra, uma fase conturbada na família e uma anti-sociabilidade extrema, coisa que só me propus combater quando fiz banda, com uns colegas que também eram assim. E toda a pressão que partia da atitude – extremamente prejudicial – de eu ser considerado garoto-prodígio na minha família. E aos 15 eh que os últimos resquícios desta fase determinaram o marco final de um período em que experimentei muitas coisas diferentes opostas (desde livros ate chá de cogumelo) e que me levaram a um ato-cheque – talvez o mais impensado, talvez o mais natural da minha curta vida.

      Penso sempre como deve ser extremamente ruim quando qualquer pessoa sofre esses baques, e penso (e me preocupa) como qualquer pessoa esta submetida a isso, por mais que muitas, admiravelmente, tenham uma personalidade bastante firme e avessa a intervenções desta forma. Mas quando se começa a ver coisas de uma forma diferente, quando uma realidade torna-se diferente daquilo que ate então era natural, qualquer pessoa corre o risco de sucumbir a mim mesmo. Eu “nunca mais me curei”, digamos assim, uma vez que continuei a manter hábitos desta fase, mas aprendi a lidar com essa falta de sentido no que eu via, algo assim.

     Espero que meu primo não passe por isso.

 



Escrito por Leon K. às 13h40
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Nas grandes cidades,
no pequeno dia-a-dia,
O medo nos leva tudo
(sobretudo `a fantasia)

Então erguemos muros
que nos dão a garantia
de que morreremos cheios
de uma vida tão vazia

Nas grandes cidades
de um país tão violento
Os muros e as grades
nos protegem de quase tudo

Mas o quase tudo
quase sempre é quase nada
E nada nos protege
de uma vida sem sentido

Um dia super, uma noite super
(uma vida superficial)
Entre as sombras ,
entre as sobras da nossa escassez
Entre cobras,
entre escombros da nossa solidez

Nas grandes cidades
de um país tão irreal
Os muros e as grades
nos protegem de nosso próprio mal

Levamos uma vida
que não nos leva a nada
Levamos muito tempo
pra descobrir que não é por aí...
não é por nada não...
não, não pode ser...
é claro que não é, será?

Meninos de rua,
delírios de ruínas
Violência nua e crua,
verdade clandestina
Delírios de ruína,
delitos e delícias
A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo,
medo de brincar
Em anúncios luminosos,
lâminas de barbear

Viver assim é um absurdo
(como outro qualquer)
Como tentar o suicídio
ou amar uma mulher

Viver assim é um absurdo
como outro qualquer
Como lutar pelo poder
Lutar como puder...