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MAIS ATENÇÃO DA PRÓXIMA VEZ
Só posso pedir desculpas a esta instituição que é a nossa língua, né? Os últimos posts – não só os últimos, é verdade – tem sido verdadeiros ataques `a formação correta da escrita.
Sem me ater muito a isso, esclareço que deve-se especialmente pelo fato de meu teclado estar desconfigurado, o que me impede de por acentos e semelhantes, e `a pressa com que costumo postar, como se fossem os momentos em que vos digito os últimos em que estou vivo.
Prometo digitar com mais tranqüilidade, observar melhor as falhas e evitá-las ao máximo. Talvez assim, eu consiga evitar constrangimentos como acontece quando vou revisar o texto – já publicado – e não compreendo o que eu mesmo quis dizer, em certos pontos.
O HOJE JÁ FOI ONTEM
A História não é cartesiana, mas ela se repete, `as vezes. E nessas horas, é importante lembrar de outros momentos em que, embora em cenários bastante diferentes, poder-se-ia delinear um paralelo com nosso contexto atual, extremamente incômodo e angustiante.
O genial Maiakovsky, poeta, teatrólogo e militante político russo nos albores do socialismo sovietico define em poucas palavras o preço da indiferença.
Fragmentos
Na primeira noite eles se aproximam, e colhem uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite já não se escondem: Pisam as flores, matam nosso cão, E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles Entra sozinho em nossa casa, Rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, Arranca-nos a voz da garganta. E por que não dissemos nada Já não podemos dizer nada.
Escrito por Leon K. às 05h34
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 "É OU NÃO É PIADA DE SALÃO? NETO DE ACM FALANDO EM CORRUPÇÃO"*
Eis então o início dos embates políticos! Após meses de bombardeio de acusações – acusações, apenas acusações – contra o presidente Lula, travestidas de críticas ao Governo, os movimentos sociais respondem, numa mostra de que o presidente não está sozinho nessa briga, na qual utiliza-se de todas as formas – inescrupulosas principalmente, como em alguns atos da oposição – para demonstrar força e chamar a atenção da sociedade.
Dezenas de manifestantes (dos quais pelo menos 10 mil eram jovens universitários e secundaristas) participaram deste ato que dá continuidade `a luta dos movimentos populares pelo respeito `a legalidade, mantendo o presidente fora do foco de discussões. Num dia em que o Governo ganha aliados, como o Jose Sarney, num inflamado discurso em defesa do presidente na Câmara Federal, a oposição sente-se cada vez mais incomoda.
Poucos dias após terem-se iniciado as discussões abertas sobre impeachment, a base conservadora começa a escolher melhor as palavras, e volta a amansar o discurso, medrosos da iminência de perder o apoio popular caso o povo mantenha-se ao lado de Lula. Ora, não dá para acreditar em Jose Agripino, do PFL, quando ele afirma que o movimento estudantil e uma instituição que deve ter respaldo da sociedade – oito anos de governo dele aqui no Rio Grande do Norte e um relativo atraso político que vive o Estado são mostras de como seus ataques aos movimentos sociais surtiram efeitos, mantendo as oligarquias inatingíveis.

Mais do que nunca – MAIS DO QUE NUNCA – a sociedade precisa participar das discussões políticas, acompanhar criticamente as matérias, ler fontes jornalísticas variadas, atentar para a levianeidade de certos veículos de informação, e, principalmente, ir `as ruas mostrar de que lado ela se põe. O momento político mais importante desde a eleição de Lula – e antes disso, desde a derrubada de Collor, há quase quinze anos – redige-se na nossa frente, e apatia, nesse momento, pode acaba por se tornar fatal.
*Palavra de ordem usada pelos manifestantes, direcionada `a hipocrisia da direita
* * * * *
A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DO GOVERNO LULA
Num País com uma estrutura capitalista já muito forte, uma formação institucional extremamente vulnerável `as vicissitudes do sistema, o Governo Lula é estratégico para a edificação de uma nova proposta social, elaborada pelos principais elementos da esquerda brasileira, em seguimento a um rumo socialista e democrático.
É preciso compreender a experiência de Lula sob a seguinte questão: sendo o Brasil um país em que a classe política cada vez mais se distanciava do povo, este governo, primeiro na Historia nacional em que os principais elementos políticos que atuam em nome da elite não participam, torna-se essencial no sentido de trazer mais a população para a participação da vida da Nação. Não `a toa um dos primeiros atos do governo foi criar a Coordenação dos Movimentos Sociais, CMS, e colaborando para a unidade das principais entidades brasileiras, como o Movimento dos Sem-Terra, a Central Única dos Trabalhadores, a União Nacional dos Estudantes e a União Brasileira de Mulheres, dentre tantas outras.

A secessão que aos poucos se costura hoje, com a oposição com seu projeto bem delineado, caracteriza claramente esse movimento. E o Governo Lula contribui para a divisão da sociedade duma forma mais clara, esclarecendo os interesses tendenciosos (leiam a Veja e entendam o que digo) e instaurando a luta política no Brasil (vide o caso da vizinha Venezuela, que passa por um processo semelhante). A partir desse contexto de instabilidade, a população começa a compreender os elementos envolvidos, e, a partir daí pode dar-se a elevação da consciência política e social, a qual vai levar o povo a agir segundo os seus interesses.
O Governo Lula não é um fim. É apenas um meio. Um ponto de partida. Somos testemunhas oculares. A não-ação, nesse momento, pode levar a situações como a vivida na Revolução de 30, uma era de transição, mas da qual o povo portou-se avesso, o que abriu espaço para uma democracia fantoche que anos depois viraria uma ditadura fascista.
Esse risco ainda não acabou.
A OPOSIÇÃO E O JOGO SUJO
E a oposição, formada por figuras aparentemente – e apenas aparentemente – tão distintas quanto ACM e Heloisa Helena continua a agir segundo a égide da irresponsabilidade. O projeto do baiano, aplaudido pela trotskysta, de elevação do mínimo para 384 pode colocar o governo em maus lençóis. Na situação de heterogeneidade que vive a base do presidente, hoje, pode ficar difícil para a base Aliada manter o valor da medida nos 300 reais propostos pelo Governo em maio, embora a própria oposição admita que não e prudente colocar Lula em tamanha enrascada.
 Mobilização uniu ACM (ao fundo) do PFL a Heloisa Helena do PSOL
Se assim ficar, nos 384, o presidente ficara entre duas escolhas cruéis: aprovar a Medida, o que abriria um rombo nas contas publicas e prejudicaria investimentos para 2006 ou vetá-la, o que faria com que os 300 atuais voltassem aos 260 do ano passado (?), o que levaria Lula a estudar formas de continuar a oferecer os 300, fosse com abonos ou com uma nova Medida.
No fim das contas, ainda que o governo Lula consiga contornar esse problema e manter o salário aos 300, já ficou muito claro onde pode chegar a irresponsabilidade da oposição conservadora e despreocupada com os reais interesses do Brasil.
Sou um conspirador. Um conspirador da elite. Quero derrubar Lula. Só não quero ter muito trabalho. Quero derrubar Lula sem sair de casa. Diogo Mainardi, em coluna nefasta na revista-panfletario Veja
Escrito por Leon K. às 05h20
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ENFIM O 13º
Há pouco mais de um ano - treze meses, na verdade - ainda no endereço http://peixesoll.zip.net, eu dava inicio ao meu blog. Foi no dia 8 de julho de 2004. Eu sempre gostei de blogs, e aos poucos ia me influenciando e adotando a idéia de criar um, pra mim. Mas pensava em de que forma iria mantê-lo. Postar varias vezes por semana seria no mínimo um exercício grande pra cabeça, estar sempre com algo em mente. Não tinha esse quê de escritor, embora gostasse disso. Mas me rendi a esse prazer.
Há cinco meses, tive um problema com a conta que mantinha o endereço antigo, e foi necessário abrir este. Mas tenho-os como apenas partes distintas duma mesma história.
Como diz Edu Beck, notável amigo-blogueiro deste reduto, a Internet permite a democratização total da exposição de pensamentos. Basta uma idéia na cabeça e uma conexão com a Rede. Daí parte-se pra essa aventura artística, que, no meu caso, rendeu uns bons textos, umas amizades, e um conjunto de novos conhecimentos que adquiri, direta ou indiretamente, graças a este blog.
E não podia esquecer também da Jordana, minha peculiaríssima amiga virtual, a quem tive o prazer de conhecer, e manter – com muitas dificuldades – contato concreto. Ela quem me influenciou bastante, com o blog que tinha (e que depois retomou.) E aos que apareceram, quem comentou, quem linkou, quem já ouviu falar, quem por acaso viu numa busca, aí... tudo isso é sinal de evolução. Sou, naturalmente, muito grato a todos.
PASSADO ESCURO
E essa semana, também houve outro aniversário a ser lembrado. Pena que este não representa nada digno de comemoração.
Nos dias 6 e 9 de julho, há 60 anos, nas respectivas cidades – até então pacatas – de Nagasaki e Hiroshima, a Humanidade viveu aquele que devia ser considerado o ponto mais baixo de nossa Historia – aquele sob o qual só se irá chegar quando nos rebaixarmos ante a submissão ao poder pelo poder, e decretarmos o cataclismo final, atirando nas nossas próprias cabeças.
A Bomba foi o sinal de como o conhecimento humano evoluía pra involuir. Momento de questionamentos, de se olhar pra si mesmo e perguntar porque aquilo estava acontecendo. Não era a ciência pra representar o progresso, desenvolver as potencialidades humanas? Não era a política para representar a evolução da mente humana, o dialogo, a compreensão, a filosofia coletivista de raça? A Bomba encerrou uma era de retrocesso científico e político, que foi o Holocausto, de uma forma redundante e impensada, com o genocídio instantâneo. E, como num baque, matou de uma só vez a inocência, científica e política.
No meio dos destroços de Hiroshima, havia um adereço que seria o marco de um momento-chave, na descrição real do que perseguia a Humanidade quando evoluía, fossem lá em que aspectos: um relógio parado. O objeto, já completamente desativado, indicava que a Historia que tava sendo construída ate então deveria acabar ali, quando o homem deixara de ser sonhador pra se tornar um animal perigoso e intolerante.
FELIZ DOMINGO
Eis o dia dos Pais. Eu não comemoro esse dia, economizo uma boa grana. Minha mãe se separou de meu pai natural quando eu ainda estava na sua barriga. Daí ela passou a ser “minha mãe e meu pai”, como costuma dizer. Não sei como é a camaradagem entre pai e filho. Mas seria legal, ter um pai, acho que eu gostaria.
Aliás, pensando melhor... assim ta bom. Tá bom demais.
Escrito por Leon K. às 21h09
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Uma coletânea de
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Nas grandes cidades,
no pequeno dia-a-dia,
O medo nos leva tudo
(sobretudo `a fantasia)
Então erguemos muros
que nos dão a garantia
de que morreremos cheios
de uma vida tão vazia
Nas grandes cidades
de um país tão violento
Os muros e as grades
nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo
quase sempre é quase nada
E nada nos protege
de uma vida sem sentido
Um dia super, uma noite super
(uma vida superficial)
Entre as sombras ,
entre as sobras da nossa escassez
Entre cobras,
entre escombros da nossa solidez
Nas grandes cidades
de um país tão irreal
Os muros e as grades
nos protegem de nosso próprio mal
Levamos uma vida
que não nos leva a nada
Levamos muito tempo
pra descobrir que não é por aí...
não é por nada não...
não, não pode ser...
é claro que não é, será?
Meninos de rua,
delírios de ruínas
Violência nua e crua,
verdade clandestina
Delírios de ruína,
delitos e delícias
A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo,
medo de brincar
Em anúncios luminosos,
lâminas de barbear
Viver assim é um absurdo
(como outro qualquer)
Como tentar o suicídio
ou amar uma mulher
Viver assim é um absurdo
como outro qualquer
Como lutar pelo poder
Lutar como puder...
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